domingo, 1 de outubro de 2017

Buscar no Orisá a força para recomeçar


Durante a vida vamos passando por momentos onde nada tem explicação, são crises que vem como tempestades que param tudo, inclusive a nossa capacidade de enxergar uma saída. São nesses momentos que a fé é um fator de transformação, mas se religião for um dos problemas, como fazer?

Primeiro, a fé nunca vai ser um problema, o que pode estar dificultando sua vida são as pessoas, como eu costumo dizer, em uma casa de Orisá somos todos doentes buscando na força da luz do asé a nossa cura, do abiyan ao bàbálorisá, contudo, cada um tem sua força, sua qualidade e unidos em uma boa viagem como determina Ogún na primeira cantiga do sirè – Ogún ajò e mariwò... – conseguiremos vencer todos os percalços de uma vida em comunidade, por esse motivo também temos que trabalhar muito o conceito “Ori x Ègbé” que vamos tratar em um outro post.

Segundo, concordo com o “tudo passa”, o grande negócio é a maneira que vamos passar por aquele momento difícil, por isso desenvolver a essência do seu Orisá é muito importante, por exemplo, se você é de Ogún, por questão evolutiva, deve ser cirúrgico na hora de tomar decisões, praticidade sempre será o melhor caminho, já se você for de Odé terá que considerar sempre o bem-estar de todos que influência e para as pessoas de Sangò, o equilíbrio será predominante em todas as decisões, sendo que nunca poderá perder a liderança daquela situação. 

O jogo de búzios pode sim ajudar, mas tenha a consciência que ao buscar um conselho de Orunmila terá que seguir as orientações quanto a ebós (tratamentos) e também na questão comportamental, nem todo o errado está no outro ou é culpa do momento do pais ou ainda pior, da má sorte, muitas vezes nossas atitudes x comunidade, estão desalinhas, sem sentido e isso gera um fluxo ruim de energia. 

Seja para que momento, busque a fé, pratique e mude sua vida, muitas pedras existiram no caminho de quem caminha atento e tem uma direção determinada pelo orún (céu), aceita pelo ori (eu) e que faz bem a ègbé (comunidade).

Muito asé!
Bàbá Diego de Odé 
(11) 4141-0167 – 9 6617-8726

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Testemunho de Fé e Agradecimento

Em janeiro de 2016 tivemos um grande Candomblé de Osalá, com muitas obrigações e a casa ficou pequena para receber todos os filhos e amigos. Passado dias, fizemos o ritual do Amalá, para aquecer a casa e dar início ao ano de 2016, como é de costume no Ègbé L’ajò e pedi a Sangò que nos ajudasse a encontrar um lugar maior, com natureza e tudo que uma roça de santo precisa ter de espaço e acesso.
Em três dias tivemos a resposta de Sangò e em sete, graças a Ogún e Esú, já tínhamos o dinheiro necessário para ter o terreno. Foi uma correria, uma euforia, uma felicidade e, entre muitas opções, acabamos fechando com uma localizada no bairro de Mont Serrat - Itapevi, principalmente porque a pessoa que nos vendeu era do asé (não da minha casa) , do orisá e de Sangò, vi aquilo como um sinal, o que me deu mais segurança em colocar tudo que tínhamos nas mãos dessa pessoa, porém fomos enganados, o local não se pode construir, outras pessoas também já haviam caído nessa história e foi aí que meu mundo desabou. Como explicar para as pessoas que tínhamos sido passados para trás? Logo eu um Bàbálorisá, uma pessoa que teve oportunidade de estudar e sabe todos os tramites de uma compra de imóvel. Foram dias de terror, noites em claro, de idas a advogado e delegacia, choramos, suplicamos e tudo o que era possível dentro das leis do homem, foi feito.
Durante esse ano que passou, esse projeto ficou quietinho dentro de mim, me sentia fraco para começar novamente essa história de construir. Foi então que há dois meses, essa vontade voltou e com a ajuda de Ogún, Odé e Sangò, tudo foi reposto. Hoje temos em São Roque, um terreno que é três vezes o tamanho do que o antigo, com fonte de água, luz regularizada e todas as arvores de asé que vão ser necessárias.
Com isso eu aprendi que, devemos sempre pedir as bênçãos do Orisá, mesmo que o caminho pareça seguro. Aprendi que as provações são fortalecedores do caminho da fé e que aquilo que é nosso NINGUÉM tira e principalmente que, ser um homem de asé é acreditar mesmo quando tudo parece perdido e as luzes apagadas, pois é aí que enxergamos a força te temos dentro de nós.
Agradeço os filhos e amigos que me deram sempre força, nenhum desistiu de mim e nem do asé, lutaram bravamente, me protegeram e quero que saibam que, nunca vou esquecer o que fizeram por mim e pelo Ègbé L’ajò.
Obrigado Ogún!
Obrigado Odé!
Obrigado cada Orisá que mora nessa terra, pois tenho o privilégio de louvar e servi-los.

Com amor e muita fé,
Bàbá Diego de Odé

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Olubajé no Ègbé L'ajò

No dia 22 de julho de 2017 a Família Egbé L’ajò, comemorou o Olubajé, iniciações e obrigações.
Agradecemos a presença de toda família e amigos.
- Realização: Ilè Asé Egbé L'ajò
- Idealizador: Babá Diego de Odé (Diego Guimarães Carvalho)
- Organização: Iyá Egbé Mayra Centeno, Bàbá Efún Sandro Ty Airá Egbón Sandra Ty Ógún, Bàlogún Eduardo de Ogún.
- Decoração: Eduardo de Ògún e Fabrício de Osalá.

- Fotos: Érica Catarina Pontes
- Roupas: Crioula Fashion - Moda Afro, Sofia Magia, Agulha de Cobre, Ogan Tadeu Richilieau I, Rei dos Orixás, Sol de Aruanda (Mari Oliveira).
- Aparamentas: Márcio Paramentas de Orixás, Alemão Paramentas,
Rei dos Orixás (Lapa), Sol de Aruanda.
- Materiais de Axé: Sandro Ty Airá (Tudo para Orixá), Rei dos Orixás (Lapa - SP) e Sol de Aruanda (Mari Oliveira).
- Doces: Lucy de Oyá e Valéria de Logún.
- Nosso blog: terradosorixas.blogspot.com.br
- Fanpage: Babá Diego de Odé e Ilè Asé Egbé L'ajò
Ilè Asé Egbé L’ajò
Endereço do asé: Rua José Rodrigues do Nascimento, 97 - Jardim Dona Elvira, Itapevi - SP.
Telefone: (11) 4141-0167
E-mail: terradosorixas@hotmail.com

domingo, 21 de maio de 2017


Um fato sobre Candomblé é que o Orisá estará sempre do seu lado, ele NUNCA será a causa dos seus problemas e principalmente daquilo que você é permissivo, por isso, enfrente a vida e as consequências dela! E pare de dizer que, vai desistir... que o Orisá não te ajuda... que seu asé não faz diferença na sua vida... Foque nos seus objetivos, construa uma fé inabalável e valorize tudo aquilo que Olorun te deu.

Carla de Iyèmonjá – Primeiro Ano de Iniciada


Eu acredito que somos parte de um processo maior, que assim como a natureza, está o tempo todo reconstituindo tudo aquilo que o tempo e o ser humano destruiu, e é no Candomblé que reforçamos esses laços ancestrais de compromisso com a aiyè (terra), por isso, nada mais lindo que ver um Orisá agindo na vida de um filho, essa transformação e resgate da essência que nos fortalece, mas que por decepções muitas vezes se afastamos.


Carla carrega a liderança de Iyèmonjá e a resistência de Oyá, e bravamente venceu esse primeiro ano de iniciada, afinal não é fácil se adaptar um novo jeito de viver e aprender no dia-dia, que Orisá está em tudo, em cada decisão, abdicação e principalmente na maneira que transmitimos asé ao próximo.

Parabéns minha filha! Mais uma etapa vencida.
Com amor,
Bàbá Diego de Odé

terça-feira, 16 de maio de 2017

O Candomblé e o Sacrifício de Animais

Não é surpresa aos povos de matriz africana os casos de discriminação religiosa no brasil, haja vista que desde a chegada dos negros no Brasil estes sofreram perseguições culturais e religiosas. Entretanto, o sofrimento e humilhação do tronco deu lugar a coerção legislativa e jurídica, onde o povo de matriz africana enfrenta o reforço da desigualdade e luta para reafirma sua cultura e sua religiosidade.
Em 2014 um magistrado federal do Rio de Janeiro emitiu uma sentença na qual desconsidera como religião os cultos de matrizes africanas, retirando destes adeptos a proteção constitucional à liberdade religiosa. Houve uma forte movimentação social contra a decisão do magistrado e o Ministério Público Federal inconformado com os fundamentos da sentença recorreu à Justiça Federal. Diante da repercussão tomada o magistrado alterou os fundamentos de sua decisão, reformando o trecho que ressaltava que as religiões de matrizes africanas não poderiam ser consideradas como religiões, entretanto mais um golpe discriminatório já havia sido dado e pouco tempo depois da repercussão o caso caiu no esquecimento da população.
Todavia, em 2016 os holofotes legislativos e jurídicos voltaram-se novamente para o povo de santo quando fora liberado para julgamento no Superior Tribunal Federal o caso que discute o abate religioso de animais. Paralelamente, vários legisladores incluíram em suas pautas projetos de leis que visam proibir o sacrifício animal nos rituais religiosos.
Em Cotia-SP, no mesmo ano, fora aprovada na Câmara de Vereadores a Lei nº 1960/2016 que proíbe a utilização, mutilação e/ou sacrifício de animais em rituais ou cultos exercidos na cidade, também proibido em pesquisas científicas ou de qualquer outra natureza, punindo o infrator com multa de R$ 704,00.
No mesmo passo, fora protocolado na Câmara Municipal de São José dos Campos-SP o projeto de lei nº 8/2017 que, utilizando redação similar a lei promulgada em Cotia, também proíbe o abate animal, exclusivamente para fins místicos, iniciáticos, esotéricos ou religiosos, prevendo também uma punição pecuniária.
Ao observar as redações das leis que restringem o abate de animais é notório o conteúdo discriminatório sob uma suposta fundamentação de proteção animal. Leis com este teor promulgadas em um país que 90% da população alimenta-se de carne e onde a opção pela alimentação carnívora ou vegana é um direito de todo cidadão, demonstra a intenção legislativa de discriminação religiosa, no qual este preconceito pressupõe quais crenças e práticas devem ser consideradas corretas e aceitas ou não.
É preciso compreender que culturalmente para o povo de matriz africana o abate ritualístico de animais reflete a expressão de subsistência do próprio povo, pois os animais imolados alimentam a comunidade, mas para isso a comunidade louva a sacralidade do animal, utilizando ritos de demonstração de respeito e permissão para o consumo de sua carne.
Precipuamente, o ritual de sacralização animal nas religiões de matriz africana revela a necessidade de compartilhar com os deuses as bênçãos e conquistas alcançadas.
Utilizar os termos de “crueldade”, “sofrimento” nos rituais religiosos de abate animal nas religiões de matriz africana é deturpar o seu próprio fundamento e julgar suas práticas como inferiores ou erradas, no sentido que já fora comprovado pelas organizações de defesa animal que as indústrias de alimentos utilizam métodos cruéis na sua produção e estas são as menos afetadas pelas leis.
Se a lei não tivesse um viés discriminatório estaria preocupada em regulamentar a forma como os animais são criados e abatidos nas grandes indústrias. Pois o legislador endossa que os cidadãos podem comer a carne vinda da crueldade da indústria, mas não podem se alimentar do animal que foi louvado, cantado, rezado e imolado pelas suas próprias mãos.
Para não ter a sua manifestação religiosa vetada em diversas cidades, quiçá em toda nação, é preciso que o povo de matriz africana em uníssono reitere a sacralidade da imolação animal, demonstrando para a sociedade que suas práticas, ao contrário do que é pregado por outras denominações religiosas, estão embasadas no respeito àqueles animais que antes do abate para o consumo tornam-se parte do divino.
A riqueza e beleza da religião dos Orixás devem ser compartilhadas, nutrindo o respeito e demonstrando a resistência da cultura do povo de matriz africana.
Júlio Fontes 
Advogado

Buscar no Orisá a força para recomeçar

Durante a vida vamos passando por momentos onde nada tem explicação, são crises que vem como tempestades que param ...