domingo, 19 de novembro de 2017

A Força do Ajé - Como funciona

A força do Ajé – Como funciona
Sabemos que no Candomblé a força do “Ajé” existe, seja em qual for a época, sempre se ouviu falar que há uma energia contrária, que tenta o tempo todo boicotar a presença daquilo que é para nós a unidade onde tudo se encontra, o homem (espécie) e com o passar do séculos, nossas atitudes contrárias a criação, fortaleceu ainda o “negativo”, principalmente quando não permanecemos unidos em uma boa viagem (Ogún ajò...), contudo, mesmo que o ajé seja para todos, o “Asé” deve ser ainda mais vivo, principalmente na vida de um iniciado, ele não pode te impedir de evoluir e brilhar.
O Ajé usa os momentos de transição na nossa vida para agir, um exemplo é a passagem de uma casa de asé para outra. Todos aqueles que vieram de outra roça para o Ègbé L’ajò, sabem o quanto eu sou resistente a entrada desse filho e não é porque eu não acredite que o outro merece uma segunda chance, longe de mim, afinal eu passei por duas casas, mas é por conta dos fundamentos que são feitos na iniciação, tal como o “juramento”, os ebós que são feitos a ancestralidade e uma série de atos que te vinculam com aquela família ancestral. Então, não é apenas um “tchau”, isso pode bastar aos homens, mas quanto as divindades? Será que seu Orisá realmente quer seguir o caminho, como dizem ou é apenas o sua ori (cabeça) que não se sente confortável? E se fosse sua família carnal, você com seus cinco anos de idade, iria ter poder de escolher outra família? Tudo isso deve ser pensando, pois já se faz santo sabendo de todos prós (asé) e todos contra (geralmente a ègbé (comunidade)).
Por isso, acima de tudo está o Orisá e como um adosú (carrega Osú), cumpra seus preceitos, participe das funções e não apenas daquelas que são pró seu Orisá ou dos irmãos que você gosta, coloque seu branco na sexta-feira, vivencie o período de iyáwò, dentro de fora do asé e o mais importante, confie no que você carrega. Tenha em mente que a nossa religião veio do berço africano, da resistência de negros fortes e que sofreram demais, por isso, Orisá nenhum aceita “mi-mi-mi”, com tanta coisa ruim acontecendo no mundo pra te proteger.
Nunca deixe de vigiar, principalmente se o seu bem-estar influenciar muita gente, em geral, você irá incomodar uma considerável parcela daqueles que te observam.
Viva o Asé e não crie Ajé, o que existe já é o bastante para darmos conta.
Muito asé e uma excelente semana,
Bàbá Diego de Odé

domingo, 1 de outubro de 2017

Buscar no Orisá a força para recomeçar


Durante a vida vamos passando por momentos onde nada tem explicação, são crises que vem como tempestades que param tudo, inclusive a nossa capacidade de enxergar uma saída. São nesses momentos que a fé é um fator de transformação, mas se religião for um dos problemas, como fazer?

Primeiro, a fé nunca vai ser um problema, o que pode estar dificultando sua vida são as pessoas, como eu costumo dizer, em uma casa de Orisá somos todos doentes buscando na força da luz do asé a nossa cura, do abiyan ao bàbálorisá, contudo, cada um tem sua força, sua qualidade e unidos em uma boa viagem como determina Ogún na primeira cantiga do sirè – Ogún ajò e mariwò... – conseguiremos vencer todos os percalços de uma vida em comunidade, por esse motivo também temos que trabalhar muito o conceito “Ori x Ègbé” que vamos tratar em um outro post.

Segundo, concordo com o “tudo passa”, o grande negócio é a maneira que vamos passar por aquele momento difícil, por isso desenvolver a essência do seu Orisá é muito importante, por exemplo, se você é de Ogún, por questão evolutiva, deve ser cirúrgico na hora de tomar decisões, praticidade sempre será o melhor caminho, já se você for de Odé terá que considerar sempre o bem-estar de todos que influência e para as pessoas de Sangò, o equilíbrio será predominante em todas as decisões, sendo que nunca poderá perder a liderança daquela situação. 

O jogo de búzios pode sim ajudar, mas tenha a consciência que ao buscar um conselho de Orunmila terá que seguir as orientações quanto a ebós (tratamentos) e também na questão comportamental, nem todo o errado está no outro ou é culpa do momento do pais ou ainda pior, da má sorte, muitas vezes nossas atitudes x comunidade, estão desalinhas, sem sentido e isso gera um fluxo ruim de energia. 

Seja para que momento, busque a fé, pratique e mude sua vida, muitas pedras existiram no caminho de quem caminha atento e tem uma direção determinada pelo orún (céu), aceita pelo ori (eu) e que faz bem a ègbé (comunidade).

Muito asé!
Bàbá Diego de Odé 
(11) 4141-0167 – 9 6617-8726

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Testemunho de Fé e Agradecimento

Em janeiro de 2016 tivemos um grande Candomblé de Osalá, com muitas obrigações e a casa ficou pequena para receber todos os filhos e amigos. Passado dias, fizemos o ritual do Amalá, para aquecer a casa e dar início ao ano de 2016, como é de costume no Ègbé L’ajò e pedi a Sangò que nos ajudasse a encontrar um lugar maior, com natureza e tudo que uma roça de santo precisa ter de espaço e acesso.
Em três dias tivemos a resposta de Sangò e em sete, graças a Ogún e Esú, já tínhamos o dinheiro necessário para ter o terreno. Foi uma correria, uma euforia, uma felicidade e, entre muitas opções, acabamos fechando com uma localizada no bairro de Mont Serrat - Itapevi, principalmente porque a pessoa que nos vendeu era do asé (não da minha casa) , do orisá e de Sangò, vi aquilo como um sinal, o que me deu mais segurança em colocar tudo que tínhamos nas mãos dessa pessoa, porém fomos enganados, o local não se pode construir, outras pessoas também já haviam caído nessa história e foi aí que meu mundo desabou. Como explicar para as pessoas que tínhamos sido passados para trás? Logo eu um Bàbálorisá, uma pessoa que teve oportunidade de estudar e sabe todos os tramites de uma compra de imóvel. Foram dias de terror, noites em claro, de idas a advogado e delegacia, choramos, suplicamos e tudo o que era possível dentro das leis do homem, foi feito.
Durante esse ano que passou, esse projeto ficou quietinho dentro de mim, me sentia fraco para começar novamente essa história de construir. Foi então que há dois meses, essa vontade voltou e com a ajuda de Ogún, Odé e Sangò, tudo foi reposto. Hoje temos em São Roque, um terreno que é três vezes o tamanho do que o antigo, com fonte de água, luz regularizada e todas as arvores de asé que vão ser necessárias.
Com isso eu aprendi que, devemos sempre pedir as bênçãos do Orisá, mesmo que o caminho pareça seguro. Aprendi que as provações são fortalecedores do caminho da fé e que aquilo que é nosso NINGUÉM tira e principalmente que, ser um homem de asé é acreditar mesmo quando tudo parece perdido e as luzes apagadas, pois é aí que enxergamos a força te temos dentro de nós.
Agradeço os filhos e amigos que me deram sempre força, nenhum desistiu de mim e nem do asé, lutaram bravamente, me protegeram e quero que saibam que, nunca vou esquecer o que fizeram por mim e pelo Ègbé L’ajò.
Obrigado Ogún!
Obrigado Odé!
Obrigado cada Orisá que mora nessa terra, pois tenho o privilégio de louvar e servi-los.

Com amor e muita fé,
Bàbá Diego de Odé

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Olubajé no Ègbé L'ajò

No dia 22 de julho de 2017 a Família Egbé L’ajò, comemorou o Olubajé, iniciações e obrigações.
Agradecemos a presença de toda família e amigos.
- Realização: Ilè Asé Egbé L'ajò
- Idealizador: Babá Diego de Odé (Diego Guimarães Carvalho)
- Organização: Iyá Egbé Mayra Centeno, Bàbá Efún Sandro Ty Airá Egbón Sandra Ty Ógún, Bàlogún Eduardo de Ogún.
- Decoração: Eduardo de Ògún e Fabrício de Osalá.

- Fotos: Érica Catarina Pontes
- Roupas: Crioula Fashion - Moda Afro, Sofia Magia, Agulha de Cobre, Ogan Tadeu Richilieau I, Rei dos Orixás, Sol de Aruanda (Mari Oliveira).
- Aparamentas: Márcio Paramentas de Orixás, Alemão Paramentas,
Rei dos Orixás (Lapa), Sol de Aruanda.
- Materiais de Axé: Sandro Ty Airá (Tudo para Orixá), Rei dos Orixás (Lapa - SP) e Sol de Aruanda (Mari Oliveira).
- Doces: Lucy de Oyá e Valéria de Logún.
- Nosso blog: terradosorixas.blogspot.com.br
- Fanpage: Babá Diego de Odé e Ilè Asé Egbé L'ajò
Ilè Asé Egbé L’ajò
Endereço do asé: Rua José Rodrigues do Nascimento, 97 - Jardim Dona Elvira, Itapevi - SP.
Telefone: (11) 4141-0167
E-mail: terradosorixas@hotmail.com

domingo, 21 de maio de 2017


Um fato sobre Candomblé é que o Orisá estará sempre do seu lado, ele NUNCA será a causa dos seus problemas e principalmente daquilo que você é permissivo, por isso, enfrente a vida e as consequências dela! E pare de dizer que, vai desistir... que o Orisá não te ajuda... que seu asé não faz diferença na sua vida... Foque nos seus objetivos, construa uma fé inabalável e valorize tudo aquilo que Olorun te deu.

Carla de Iyèmonjá – Primeiro Ano de Iniciada


Eu acredito que somos parte de um processo maior, que assim como a natureza, está o tempo todo reconstituindo tudo aquilo que o tempo e o ser humano destruiu, e é no Candomblé que reforçamos esses laços ancestrais de compromisso com a aiyè (terra), por isso, nada mais lindo que ver um Orisá agindo na vida de um filho, essa transformação e resgate da essência que nos fortalece, mas que por decepções muitas vezes se afastamos.


Carla carrega a liderança de Iyèmonjá e a resistência de Oyá, e bravamente venceu esse primeiro ano de iniciada, afinal não é fácil se adaptar um novo jeito de viver e aprender no dia-dia, que Orisá está em tudo, em cada decisão, abdicação e principalmente na maneira que transmitimos asé ao próximo.

Parabéns minha filha! Mais uma etapa vencida.
Com amor,
Bàbá Diego de Odé

A Força do Ajé - Como funciona

A força do Ajé – Como funciona Sabemos que no Candomblé a força do “Ajé” existe, seja em qual for a época, sempre se ouviu falar que há...