terça-feira, 25 de outubro de 2016

O Poder de Um Iniciado

Quando somos escolhidos pelos Orisás e Ancestrais para carregar o asé e o nome de uma família, devemos lembrar que temos uma aliança com a natureza e partir desse momento, não haverão apenas direitos, mas também deveres com tudo aquilo que é filho da terra, inclusive o próximo.
O poder de um iniciado está na sua capacidade de criar uma relação de harmonia com o meio, de passar o que lhe foi ensinado, de compreender que se é de uma religião onde o inimigo sempre foi o preconceito e a ignorância, e por esse motivo que um omo-Orisá não pode ter a cabeça fechada, não deve se apegar a guerras bestas, pois se é “feito” para ser melhor e não para competir com ninguém.
As tantas lições que se aprende na religião dos Orisás, só terá sentido se você levar o saber para sua vida e transforma-lo em conhecimento. E lembre-se, não adianta vestir branco na sexta-feira, se você ao menos diz um “bom dia” para seu colega de trabalho, não adianta você não comer carne de porco, mas intoxicar seu corpo com álcool aos finais de semana, não adianta você falar baixo dentro da casa de asé, se na sua casa já chega gritando e sendo mau educado com sua família. 
Aprenda Candomblé, reveja suas ações, crie novos hábitos e sinta o poder do equilíbrio, tenho certeza que sua vida vai mudar.
Com carinho, 
Babá Diego de Odé

domingo, 23 de outubro de 2016

Qualidades de Osún



- Osún Iberín (Merín): Senhora da água que infiltra as rochas e forma as fontes. Ela caminha com Iyèwá. Iberín.  É dona da água que envolve o bebê durante a gestação e também é mãe do pássaro Odide. São raros os seus filhos que entram em transe. 
- Osún Ipondá: Mãe de Ologunèdé, teve seu coração caçado por Sangò Aganjú, que a prendera e para fugir do seu amor possessivo, tomou forma de uma linda pomba branca. Mais tarde, pelo seu poder de estratégia, Ipondá seguiu para guerra com Osaguian. 
- Osún Opàrá: Guerreira, é mãe da água que cruza e divide as estradas. Companheira de Oyá. Opàrá lutou ao lado de Ogún e Osún Ipondá, onde venceu muitas guerras, suas itán (lendas), sempre nos mostra uma mulher forte e decidida, porém que lutava para estabelecer seu lugar não como menor, mas sempre como igual ao poder masculino. 
- Osún Ijimú: Dona da lama do fundo dos rios e lagoas, senhora da sabedoria. Travou uma guerra com Ibúalama pelo domínio do rio, onde após uma longa batalha, um se torna o lado masculino e o outro o lado feminino. Por ser protetora o povo de Nàná, foi dado a ela o poder de encantar o okutá (pedra de poder) e lama para o culto a Osùmárè, Osayn e Omolu. 
- Osún Ominibú: Com sua irmã Ijimú, vive no fundo (Ibú) do rio, porém é dona das águas geladas. É ligada aos orisás funfuns e durante a passagem de “Osalá e as Águas”, ela teria lavado as roupas de Obatalá, após serem sujas por Esú.
- Osún Ayalá: Foi ela quem junto a Iyá Sabá, teceu o alá (pano branco) para proteger Osalá e pelo seu ato, Airá também a protege. Dona da cabaça, Ayalá tem forte ligação com as Iyámí Ajé e com os atos iniciatórios. São poucos seus iniciados. 
- Osún Karè: Filha de Erinlé e irmã gêmea de Odé Karèlè. Karè é ligada a caça e a pesca, mãe provedora e conhecedora da botânica e magia. Teria saído da casa de Asesú para resgatar o amor de seu pai e mais tarde junto a Erinlé e Ologúnèdé, ajudava a dividir a carne o peixe igualmente para a tribo. Carrega a abebè e também o Ofá. 
- Osún Okè: Senhora da montanha. Vive com as Iyámì Ajé, foi companheira de Odé Igbò. Okè vive na noite, é água que durante a lua cheia fica cintilante. Misteriosa, seu culto é ligado também a Ogún, Osaguian e suas irmãs, Opàrá e Ipondá.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Bom Senso

Nossos ancestrais lutaram muito para preservar a memória ancestral, as tradições e religiosidade, mesmo com o sincretismo e a divisão entre nações, permaneceram unidos e orgulhosos do que carregavam, com o tempo as casa de asé foram se dividindo, questões pessoais foram colocadas acima do Orisá, em alguns casos isso foi necessário, já em outros a vaidade se fez tão presente que acabou cegando os dirigentes e hoje muitas dessas casas nem existem mais.
Com isso, aprendemos que bom senso vem antes de qualquer passo, precisamos pensar para falar e o reflexo que isso terá dentro e fora da família de asé, essa é uma lição importante para o omo-Orisá, pois como eu costumo falar, para sermos bons filhos de santo, precisamos antes sermos boas pessoas.
Que Odé ilumine a cada um de vocês e que o Ori nos permita aprender com os tapas, para que eles não comecem virar murros e posteriormente o silêncio, pois é assim que o universo responde aqueles que insistem nos mesmos erros.
Com carinho,
Babá Diego de Odé
(11) 4141-0167
terradosorixas@hotmail.com

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Cumprimentar a Casa de Asé

Os filhos de santo quando chegam a casa do Orisá, seguem para o banho (Omi eró) e logo em seguida vão “cumprimentar” os asés e por que fazem isso?
Acreditamos em energia e quando chegamos em casa tanto na espiritual quanto material, precisamos “esfriar” o corpo, para não transferirmos a energia da rua para dentro de onde vamos recarregar as energias. 
Saudamos a porta e a casa de Esú, agradecendo por guardar nossa casa e cada individuo que entra e sai dela,
Saudamos Ogún por ser nosso protetor na estrada,
Saudamos o Asé para fortalecer os nossos votos de fidelidade e compromisso,
Saudamos os Atabaques (ilú), pois são eles quem acordam a nossa ancestralidade,
Saudamos a Cadeira do Orisá da casa, agradecendo por seu asé e por ter permitido o resgate dos nossos laços espirituais,  
E saudamos a casa (ilè) ou o quarto (yara) onde está nosso assentamento (igbá), afinal, ele é o instrumento de comunicação entre o aiyè (terra) e o orún (ceú).

A partir daí iremos colocar cabeça (foríkan), aos cargos e seguir para as nossas funções.
Notamos que as palavras que guiam a nossa religião é gratidão, respeito e disciplina, e quando me perguntam sobre o “orgulho de ser do Candomblé”, eu respondo, primeiro devemos ter compromisso, depois nos orgulhar, pois um sem o outro, não é nada, apenas palavras.
Uma excelente semana,
Babá Diego de Odé
(11) 4141-0167

Buscar no Orisá a força para recomeçar

Durante a vida vamos passando por momentos onde nada tem explicação, são crises que vem como tempestades que param ...