terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Sentido da Vida

Nós, religiosos, lidamos todos os dias com “vidas” e consequentemente com as fases do ser humano, o nascimento que dá sentido a tudo e a morte que vem silenciosa, outras vezes esperada, mas raramente bem vinda, isso porque ela vem acompanhada de um triste adeus e nos faz refletir sobre o sentido da existência. Será que é vim, crescer ou não, e morrer? Parece tão vazio, tão sem razão.
Acredito na vida após a morte, a alma é eterna e quem é do Orisá, quem renasceu para fé, tem a responsabilidade de fazer valer essa “passagem” pelo aiyè, como eu já disse, alimentar ódio, rancor, guerras, pra quê? Vale a pena jogar tempo fora? Nesses últimos dois anos, eu aprendi que não, vim para servir e amar, e vou fazer bem feito, o restante está nas mãos do Orisá, pois ele sim é eterno, assim como a memória que eu deixarei aqui.
Quando a morte (Orisá Iku) inevitavelmente chegar, o que você terá feito de bom ou de mal para prestar conta? Já pensou nisso? O que você fez com a oportunidade que Olorún te deu? Nasceu, cresceu, assumiu responsabilidades, melhorou sua sociedade, amou e cuidou da terra, ou, ao invés disso você passou sua vida atrapalhando, invejando e parasitando o outro?
Um enterro é um momento triste, mas também serve para mostrar que não somos nada! Abrace, ame e agradeça, a vida é um milagre, mas aqui, na terra, ela é apenas um momento.
Sem mais,
Babá Diego de Odé

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Série Orisás – Òbà


(Texto baseado no que vi e vivi no Candomblé)
A guerreira Òbà é um dos mais enigmáticos Orisás do panteão africano, isso devido a grande confusão que se fez a compará-la a uma “qualidade” de Oyá, contudo sabemos que Òbà é um Orisá próprio, com sirè, hún, orò e demais mistérios que fazem de seu culto, hoje fortalecido, um dos mais belos, quentes e fortes atos. 
Òbà é filha de Yemonjá e uma das netas mais queridas de Olokún, por seu gênio forte, recebeu o poder de invocar maremotos e grandes ondas. O Orisá que veste coral e vermelho claro, quase alaranjado, aparece como figura central na formação da sociedade das Geledé, formado pelas Iyábás que lutavam pelo fortalecimento do poder feminino. Como diz os antigos, Òbà é fogo sobre água, é gamela que braseiro não queima, é a mulher de confiança do rei.
Esposa de Sangò, foi por ele rejeitada após ofertar a própria orelha como prova de seu amor incondicional, porém se tratava de uma artimanha de Osún, por isso até hoje cobre a orelha esquerda. Òbà carrega a adága (espada), o escudo (onigbejá), o arco e flecha unidos (ofá) e a lança (ikó), símbolos masculinos de força, guerra e caça, pois Òbà sempre lutou para se igualar ao guerreiro mais forte que houvesse, porém ao desafiar Ogún, acabou sendo enganada em uma armadilha feita com a baba do quiabo e ao escorregar foi dominado por Ogún.
Òbà é protetora da mulher forte, que é marcada por um coração machucado pelo amor e pela rejeição, mas que não desiste da luta, que acorda cedo e vai para batalhar. Suas filhas são fortes, tímidas e valentes, quando casadas acabam carregando a relação nas costas, pois estão a frente, direcionando, conduzindo e zelando por seus lares e filhos.
Muito asé,
Babá Diego de Odé
(Mande sugestões pelo terradosorixas@hotmail.com)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Águas de Osálá - 2016

No dia 30 de Janeiro de 2016, com ínicio as 20h00, foi realizado o Candomblé das Águas de Osálá. Confira abaixo as fotos dos melhores momentos.
Realização: Ilè Asé Egbé L'ajò - Itapevi SP
Idealizador: Babá Diego de Odé - https://www.facebook.com/baba.d.ode/?fref=ts

Lembracinhas: Cheiros e Mimos


Aparamentas: Márcio Paramentas de Orixás, Ogan Odair Paramentas De Arame
Materiais de Axé: Tudo para Orixá








segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Série Orisás – Yemanjá

(Texto baseado naquilo que vi e vivi)

Yemanjá sem dúvida é um dos orisás mais conhecidos no Brasil e é reverenciada principalmente no dia de Ano Novo e em 02 de fevereiro, dia de Nossa Senhora dos Navegantes, por conta do sincretismo religioso. Porém, quem vive candomblé todos os dias, sabe o quanto a Mãe dos Filhos Peixes é importante em nossa fé.

Em cada Bori(ritual de “dar comida à cabeça”), em cada ibèrè (iniciação), temos a presença de Yemanjá, pois ela é dona do ori(cabeça) e sabemos que cabeça ruim, Orisá ruim, ou em outras palavras, se a cabeça não quer, não acredita, o Orisá não consegue agir e transformar positivamente o caminho daquele filho.

Yemanjá tem ligação forte com os Orisás funfuns, pois estava presente na criação e a ela associamos o poder matriarcal, pois os filhos que não gerou, ela criou e ensinou a cada um a lidar com suas potencialidades e fraquezas. A mãe do grande rio, a mãe do mar, aparece em todas nações africanas, Ketu, Angola, Fon, afinal a figura da grande mãe está presente em todas as culturas, apenas seu nome muda.

A todos desejo um Feliz Dia 02 de Fevereiro, louve Yemanjá e nas palavras sábias de Mãe Stella, Yemanjá quer sua presença e não que polua o seu elemento, leve flores, cante, louve com o coração!

Testemunho de Fé e Agradecimento

Em janeiro de 2016 tivemos um grande Candomblé de Osalá, com muitas obrigações e a casa ficou pequena para receber todos os filhos e amig...