segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Série Orisás – Iroko

(Baseado no que vi e vivi)

Seguindo para Iroko, descobrimos mais um universo inteiro de “itáns” e a cada passo que damos no Candomblé, mas fantástica fica essa linda viagem de encontro ao passado e aprendizado eterno.
Segundo uma lenda, quando os orisás retornaram para o orún, os humanos sentiram saudade de estar próximos as divindades e clamaram a Obatalá, que mandou uma semente miraculosa a Onile(Terra), que abraçou e fez surgir Iroko, um orisá que seria um altar para que todos os omo-orisás pudessem levar oferendas e sentir a presença dos orisás, em agradecimento Iroko deu a Obatalá um dos seus primeiros galhos mais firmes, de onde nasceu a tradição do Opásòrò, que liga o orún(céu) e o aiyè(terra), que Osálá carrega até hoje. Com o tempo, as migrações começaram a acontecer e Iroko assumiu então o papel de guardião da ancestralidade, hierarquia e tradição oral, e é cultuado como pai de todas as árvores, tendo estreita ligação com Oduduwa, Omolu, Iyèmonjá e Airá, assim como Oro, divindade que mora dentro de Iroko.
Iroko é cheio de segredos e mistérios, e assim é a iniciação de seus filhos, pois está ligado a Ikú(morte), Ibeji e ao Egbé Abiku(sociedade das crianças que nascem para retornar, morrer) e precisamos de muita prudência na hora de plantar seu asé. Diz os antigos que há apenas um Iroko iniciado por roça, somente um principio e mesmo após a morte do iniciado, demora-se muito tempo para chegar outro filho desse Orisá, que sempre é apresentado de branco, símbolo da eternidade e suas contas que são brancas, marrom e verde.
Ouvi de um mais velho, que a vida de uma pessoa de Iroko segue as estações do ano, florescendo, dando frutos, secando e renascendo. Outra grande polêmica é que a maioria dos asés considera que os filhos de Iroko não podem ser iyálorisás ou babálorisás, pois Iroko não lhes permite prende-se, sendo a função de seu omo-orisá aprender e transmitir conhecimento para as futuras gerações, mas como eu disse acima, essa é uma questão muito delicada e precisa ser bem mais discutida, o que não é intensão dessa série. 
Que Olorún e Iroko esteja sempre presente na vida de todos vocês, preservando a sabedoria e a fé.
Créditos: Imagem retirada do site http://www.proparq.it/en/essenze/iroko-2/

Mensagens de axé!


Mensagens do Orixá


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Como o Orisá age em nossas vidas?

As forças que regem a natureza buscam sempre proteger a criação e nós fazemos parte desse conjunto, mas por termos consciência, arbítrio, somos responsáveis pela manutenção da nossa vida física e também espiritual. No Candomblé, seguimos uma tradição ancestral, ou seja, nos reportamos ao nosso criador com os costumes e tradições de nossos antepassados, o que acreditamos dar poder(asé) as coisas, é como um código de comunicação com os elementos naturais, que mediante a uma série de questões energéticas, irão ou não realizar aquilo que invocamos. 
Assim como as mudanças de estações durante o ano, o Orisá age de forma gradativa, sempre aconselho meus filhos a analisar um período como um todo e certamente enxergarão a influência positiva do divino em seu cotidiano. Na iniciação, que é a nossa base de eduação religiosa, aprendemos que disciplina, respeito e resistência são valores indispensáveis para o Orisá agir e consequentemente uma boa vida no asé. Não adianta cobrarmos do orún aquilo que não somos capazes de cativar ou carregar, já vi muita gente “agraciada” reclamando da vida e outros que tinham tão pouco, felizes e contentes. Essa é uma questão de “ori”, ou seja, de cabeça, se sua consciência não está em paz, se você não acredita ou se acha que tudo é pouco, nem adianta fazer ebó, bori ou se iniciar, pois nada irá mudar.
Orisá é um presente que ganhamos nessa vida e ele não é apenas para satisfazer o seu ego e sua individualidade, Orisá é para o bem do outro, para a preservação das futuras gerações, é uma semente que plantamos e crescemos junto com ela. Abra seu ori, ouça a voz do seu Orisá, ele certamente está te guiando e mostrando o caminho certo, que muitas vezes não é o que você quer, mas é o que você precisa para sua vida levantar.
A cada passo que damos, há uma lição a aprender e para mudar de fase, bastar ter mais entendimento e menos orgulho, afinal, daqui a pouco nem estaremos mais aqui, o que restará é a marca que você deixou.
Muito asé e que essa seja uma sexta-feira de paz e reflexão!

Buscar no Orisá a força para recomeçar

Durante a vida vamos passando por momentos onde nada tem explicação, são crises que vem como tempestades que param ...