quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz 2016

E chega mais um novo ano, chega um novo tempo e em Iyèmonjá  iremos navegar por águas bravas e teremos que ter muita força para chegar em terra firme, mas em Omolu deposito toda minha fé, que chegará no final do segundo semestre um recomeço que irá nos impulsionar e mesmo com percas, seremos bem mais felizes e otimistas.

Acredito que destino não é o que vai acontecer amanhã e sim a soma de esforços, de sorrisos e lágrimas, das vezes que amamos, que acreditamos, enfim, que nos importamos com alguém além de nós mesmos. Somos feitos de emoção e o Candomblé é uma das mais fortes que podemos vivenciar, ele une deuses, ancestrais, homens, mulheres, crianças, cria novas famílias e consequentemente um recomeço para todos que precisam.

Desejo de todo coração um Feliz Ano Novo à todos, em especial para Família Egbé L’ajò, que esteve do meu lado em todos momentos, são eles o grande motivo de eu acordar todos os dias, de ter força para escrever, para lutar pela minha religião e mesmo com todas dificuldades, tentar fazer melhor cada dia, a cada festividade que é colocada na sala, cada iyáwò, cada obrigação que eu ministro, me torno mais completo e realizado.



Que venham novas batalhas, que Esú esteja sempre a frente, que Ogún nos proteja e Odé nunca nos deixe faltar prosperidade e determinação!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Raspar a cabeça: Vaidade X Fé

Culturalmente, o cabelo é um símbolo importante da vaidade, principalmente a feminina e o “hair business” movimenta milhões todos os anos, principalmente em marketing, o que mexe ainda mais com a cabeça e gera uma das questões mais importantes de nossa religião, raspar a cabeça.
A iniciação tem como objetivo levar o noviço a uma reflexão profunda sobre sua vida, sobre a importância da ancestralidade e da natureza, raspar a cabeça é sinônimo de renascimento, de abdicação da vaidade e integração com o orún(céu). Não sabemos em que momento exato da história do culto à Orisá, começou-se a realizar a “catulagem”, mas compreendemos que além de toda simbologia, existia ainda a questão higiênica, afinal ficava-se dias recluso em contato com o ejé, folhas e etc. 
Uma pergunta que muita gente faz na mesa de jogo de búzios, é se é possível se iniciar sem raspar a cabeça e minha observação é sempre a seguinte, ogan, ekedy, abiasé e abikú, possuem um outro tipo de resgate na terra, são eles iniciados e “raspar” é uma particularidade que sempre se é confirmada a necessidade, mas para quem nasceu de forma natural e entra em transe, ou seja, é um “totem” de Orisá, precisa preservar a memória ancestral, para que tenha a responsabilidade de carregar o asé, para se lembrar do quanto o Orisá é humilde, o quanto os nossos antepassados sofreram para que a religião chegasse até nós e a retirada do cabelo é um de tantos outros fundamentos tão importantes quanto.
É natural termos medo do desconhecido, por isso é importante o entendimento, cada ato no Candomblé tem seu significado e sua magia. Se inicie por amor, pois mesmo a dor tendo te levado, não será ela que manterá sua fé. Lembre-se que o período é tão pouco pelo tanto que o Orisá existe na sua vida, e quanto ao que os outros vão dizer, uma verdade é que, quem te ama nunca vai te abandonar por sua religião ou porque você ficou careca, se você é um bom profissional, se você é comprometido com a vida, ela será com você e sempre te dará um novo caminho, melhor e que você possa ter sua religião.
Muito asé,
Babá Diego de Odé
terradosorixas@hotmail.com

domingo, 20 de dezembro de 2015

Abiasé – Gravidez no Período Iniciatório no Candomblé

Nós do Candomblé tratamos de vida e morte, de começo e fim, pois acreditamos que são dois lados de uma única força, Olorun (O Criador). Um omo-orisá nada mais é que um “renascido”, ou seja, uma pessoa que teve a oportunidade de reconhecer o valor que tem a natureza e o poder do asé em sua vida, por isso todo fundamento que é aplicado dentro da casa de asé é baseado no poder elementar proveniente do Orún, mas e quando se trata de duas vidas? E quando durante os atos iniciatórios a iyáwò(iniciada) espera um bebê? É sobre isso que vou tratar hoje.

O Abiasé (Nascido com poder) é um dos mistérios mais lindos que existe em nossa religião, porém esse assunto deve ser tratado com muito critério, não inicia uma mulher grávida sem que haja o “chamado” do Orisá, se ela vai se iniciar apenas “por amor”, essa iniciação pode aguardar o termino do resguardo, pois estamos tratando de uma questão de “arbítrio”, a criança está tendo seu futuro comprometido com uma fé, sem mesmo ter recebido o emí (sopro de vida), e isso não pode ser tratado de qualquer forma. A minha opinião é, se é vontade do Orisá, ele sabe de todas as coisas e apoio a iniciação de mulheres gestantes, mas se é apenas vontade dos humanos, por vaidade, eu não sou de acordo. E se a mulher não sabe que está grávida? Então é a determinação do Orisá e tenho fé que Olorun assim determinou, a nós cabe realizar todos os devidos atos para a proteção energética dessa mãe de dessa criança. 

Serão duas vidas, por isso o cuidado precisa ser em dobro e Osún é o Orisá que vai acompanhar essa gravidez e proteger, assim como Ibejí, os Orisás gêmeos que são guardiões da infância. Diz uma itán que havia uma mulher que queria muito engravidar e foi até Osún lhe pedir a benção, pois já tentara durante anos sem sucesso. Osún então ao ver a tristeza da mulher, se revela e lhe dá uma ekodidé, uma cabaça com água fresca e cristalina, um pouco de sabão da costa e dois “obis”. Osún a manda lavar a barriga com a água e o sabão assim que retornasse a sua casa e durante sete dias que carregasse a ekodidé na testa, sendo que apenas no sétimo dia ela deveria enterrar um obi no pé de Iroko e o outro deveria deixar sobre a terra, chamando por Ibejí. Assim fez a mulher, então na lua cheia (Oṣupa kikun) um homem aparece em sua porta, era Esú que lhe trouxe a notícia que chegaria uma criança, nascida com asé e o amor de Osún. Assim nasce o primeiro abiasé.




Nessa itán reconhecemos atos que são feitos durante a iniciação, por isso consideramos a criança também iniciada, mas não a isenta de tomar suas obrigações, afinal quem cumpriu todos os sacrifícios foi a mãe e não o filho, que precisa também possuir seu Bara (Esú individual), seu igbá (recipiente sagrado) e todos os demais fundamentos que o individualiza na religião dos Orisás, mas uma marca sempre será a presença de Osún na vida dessa criança. 


Espero ter esclarecido um pouco esse assunto que é muito complexo, mas que é uma verdade na maioria dos asés de origem nagô, contudo, cada família de asé seguirá uma ritualística, mas o que importa é proteger essa vida, cuidar e formar bons cidadãos que tenham uma educação religiosa que enfatize o amor, a compreensão e o respeito.

Muito asé,

Babá Diego de Odé

#abiase #candomble #orixa #babadiegodeode #egbelajo

domingo, 13 de dezembro de 2015

Especial - Osún Òpará

– 2015 – 10.000 visualizações
(Texto baseado no que vi e vivi)
São cinco anos de estudo sobre essa qualidade ou nome pelo qual é conhecida Osún, pois assim descreveu Verger, porém observo a cada passo que é um orisá a parte. Ela é a união entre a terra(Ogún), água(Osún) e fogo(Oyá), por esse motivo seu culto é tão delicado, assim como seus filhos e filhas, que possuem uma personalidade ímpar e marcante.
Um fato bastante interessante é que Òpará é presente em todos os asés Ketu, porém existe uma grande confusão quanto ao seu nome, o que dificulta nossas pesquisas, alguns dizem Àpárá, outros Opará, já outros Iyápará. Conforme o Dicionário Yorubá – Português – José Beniste, Àpará quer dizer gracejo, sátira, por isso, Òpará (Òpa: Rio próximo a Ifé. Ará: Habitante de um lugar), seria o nome mais adequado e atualmente mais usado.
O Culto de Osún Òpará tem ínicio em Ogún, como companheira do Orisá em suas conquistas, seria ela o seu lado feminino, seu equilíbrio, assim como Oyá é para Sangò. Seguindo, encontramos seus fundamentos sempre associados a Iyámí e finalizando, com sua “junção” com Oyá, mais especificamente, Oníra, porém noto durante esses anos que há um caminho rico entre uma itán (lenda) e outra, o que deixa o culto à Òpará ainda mais intrigante, como sua aproximação com Osún Ypondá, a senhora da estratégia, os antigos dizem que são primas e dividem as águas de correnteza forte, seria Òpará a força gerada pela água e Ypondá aquela que direciona o rio em busca do seu objeto, que é encontrar o mar, contornando os obstáculos e nunca se deixando represar nem ser controlado. 
Uma lenda pouco conhecida e que ouvi há alguns anos, quando questionava um fundamento que vi nos segredos de Òpará, é sua ligação com Omolu. Diz uma itán que Ogún toda vez que vinha de uma guerra, chegava com cortes pelo corpo e era Òpará que cuidava dos machucados, porém, mal se curava, logo estava o guerreiro envolvido em outra conquista. Òpará preocupada com seu par, decidiu ir até Omolu e lhe pedir um conselho, uma receita para curar rapidamente as marcas de Ogún, então o senhor da terra lhe deu uma agulha encantada que tinha o poder incrível de cicatrização e no momento que ela a tocou, a agulha se tornou dourada como o ouro e assim a guerreira a guardou e sempre que precisou usou seu mistério, sendo eternamente grata a Omolu, por isso dizem que ela não tem “quizila” com esse Orisá. 
O amor e a guerra fazem parte da vida dos filhos desse Orisá, são fortes, determinados e capazes de tudo para defender quem amam e o que amam, porém muitas vezes se encantam pela guerra e fazem dela sua vida, com um hábito e mesmo nos momentos de paz, ainda sim procuram um desafio, por isso digo, aos omó-Òpara, sigam o coração sem perder a razão, busquem resgatar o amor por vocês mesmos, se valorizem e não deixem que as marcas do passado lhes impeçam de encontrar a felicidade, não se deixem “represar” na angustia e na solidão, tenham fé nessa mãe linda e cheia de encanto.
Que Iyá Òpara seja sempre viva dentro de cada um de vocês e de todo coração, obrigado pelo carinho.
Muito asé, 
Babá Diego de Odé
terradosorixas@hotmail.com
11 4141-0167
11 9 6617-8726
terradosorixas.blogspot.com.br

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Especial Osún Òpará

Em comemoração as mais de 100.000 visualizações no terradosorixas.blogspot.com.br, sobre Osún Òpará, postarei mais um artigo sobre essa intrigante e poderosa mãe.
Meu presente a vocês que curtem e acompanham o meu trabalho.

Àjodún Iyábá - 2015

No dia 28 de novembro de 2015, foi realizado o Candomblé de Iyábá no Ilè Asé Egbé L'ajò, confira abaixo as fotos dos melhores momentos.

Realização: Ilè Asé Egbé L'ajò
Idealizador: Babá Diego de Odé - https://www.facebook.com/baba.d.ode/?fref=ts
Lembracinhas: Cheiros e Mimos
Aparamentas: Márcio Paramentas de Orixás
Materiais de Axé: Tudo para Orixá
Agradecimento Especial: Mãe Aparecida Isabel SantosOni Sango Douglas.

 Atabaques e Cadeira Principal
 Centro do Ilè Asé
Egbonmí Sandro de Airá comemorando seu Odún Éje

Odún Èje, a maioridade no Candomblé 

 Presente de Osún
Babá Diego de Odé

Entrega de Oyè

Iyá Atinsá Sandra de Ogún


Iyá Dagan Sônia de Omolu

Obrigações de ano

Lembranças da festividade de Iyábá

A Força do Ajé - Como funciona

A força do Ajé – Como funciona Sabemos que no Candomblé a força do “Ajé” existe, seja em qual for a época, sempre se ouviu falar que há...