quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Minha história com Ibeji

Hoje irei repetir uma ação que me acompanha desde o nascimento, comprar os doces de Ibeji, fato esse que me levou a dividir minha história com esse Orixá, alías, Orixás que cuidam e zelam pela infância e que possuem um papel muito importante na minha vida.
Antes de me gerar, minha mãe, a Iyálorixá Rose de Oxum teve uma gestação de gêmeos, que infelizmente foram natimortos e na ocasião, minha família havia se afastado do Candomblé e nada foi feito energicamente, para prevenir nem remedir a situação. Um ano depois, como era vontade dos meus pais, novamente minha mãe engravidou, porém começaram uma série de complicações e minha bisavó, a Iyálorixá Minervina de Ogún (1925 - 2000), voltou para o Candomblé, pois entendeu que isso era reflexo da vida espiritual da família e principalmente da minha mãe.
Após sentar em muitas mesas de búzios e ainda sem entender muito o candomblé, em abril de 1985, minha mãe aos cinco meses de gestação, entrou para o quarto de santo para se iniciar em Oxum, mais velhos da época, como seu Olegário de Omolu, Pai Toninho de Oxum, Mãe Margarida de Yemanjá e outros tantos, acompanharam todo processo, que foi delicado e muito difícil, tanto por saúde quanto por condições financeiras. Meses depois, eu nasci e como havia profetizado Ifá, e se não bastasse a alegria, ainda vim ao aiyè filho de Odé.
Mas as provações não acabaram, do primeiro aos dez anos de idade, eu sofri com um bronquite asmática grave, meus pais se desdobravam entre o hospital, trabalho e casa de axé, nunca os vi reclamar, nem colocar a culpa no Orixá, pelo contrário, serão cada vez mais devotos e sou muito grato a Oxum e principalmente a Ibeji por me dar a vida, por cuidar da minha infância. Iniciei muitas crianças no culto à Orixá, e graças a Olorún, todas estão com saúde, em lares estruturados e crescem felizes e a isso, também sou muito agradecido.
Que Ibeji sempre seja vivo no coração das crianças e de nós adultos, pois a inocência e as lições aprendidas na infância, são eternas e moldam o nosso caráter.
Modupé ase!
Legenda:
1 - Foto: Babá Diego - 2014
2 - Foto: Inicio do sirè do Orukó da Iyá Rose de Oxum.
3 - Foto: Iyá Rose de Oxum e Babá Diego de Odé, recém nascido- 1986. (Cabelinho curto, mais linda como sempre).





quarta-feira, 9 de setembro de 2015

ORY - Se libertar para ser feliz - Ultrapassando Fases Difíceis

Nós do Candomblé cultuamos também o Orixá Ory, o Eu, que é responsável por proteger a nossa cabeça, a nossa consciência, porém durante sua vida, o Ory vai se adaptar às suas dores, alegrias, amores e desamores, e com base nas experiências passadas, analisa o futuro e permite você percorrer de forma mais rápida ou mais lenta.
Existem coisas que marcam a nossa vida, que nos prendem o nosso psicológico e isso impede muitas vezes de absorvemos axé, de olhamos com um olhar mais positivo a vida. Quem já não passou por um momento difícil na vida, quem já não chorou e pensou em desistir de tudo? Eu já, aliás, algumas tantas vezes, mas olho tudo que eu cativei, todas as vitórias e no outro dia, coloco minha roupa branca, meu fio de conta e começo tudo de novo, com a esperança que tudo seja melhor, só não deixo de tentar corrigir meus erros, pois quando estamos cegos pela vaidade do "eu estou sempre certo", não conseguimos ir muito longe.
Cada Ory tem sua receita e pode ser tratado também com bory, ritual onde damos “de comer” a cabeça, mas o melhor bory, é alimentar o seu EU, de fé, de confiança no Orixá, pois se seu Ory confiar no poder dos Orixás, ele vai permitir que o axé entre em seu SER e transforme tudo, agora se o seu Ory se deixa levar pelas lembranças ruins, força nenhuma conseguirão atuar na sua vida, por melhor que seja seu babálorixá, padre ou pastor.
A minha dica é, tome uma dose de FÉ todos os dias, quanto estiver indo para o trabalho, voltando da faculdade ou terminando um dia, converse com seu Orixá, seja na cama, no banho, ou depois de ler um livro, comemore com um sorriso cada vitória, tente olhar do lado, veja quanta coisa ruim acontece todos os dias na sua cidade, no seu país e você, graças a Olorun, está em casa, na segurança do seu lar, com as pessoas que te amam e caso esteja vivendo um momento ruim, também agradeça pela oportunidade de ver a vida por outro angulo e deixe nas mãos dos Orixás os seus medos e saiba que uma verdade é, coisas ruins acontecem com pessoas boas e o que podemos fazer é aprender, superar e seguir em frente.
Não é fácil viver em um mundo cada vez mais competitivo, onde você é valorizado pelo que tem e não pelo que é, mas podemos mudar isso com atitudes simples e não se esqueça de que, se você não for fiel aos seus objetivos e a quem está do seu lado, não poderá cobrar nada amanhã.
Muito axé e que Xangô tenha misericórdia de nós. 
Babá Diego de Odé

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pensamentos e Reflexões

Entre pensamentos e reflexões:
Abrir a porta, confiança e recomeço.
Toda instituição que pratica uma atividade religiosa, em sua maioria, está aberta a receber à todos e com isso seus problemas, suas angustias e frustrações, assim também é no Candomblé, abrimos a nossa porta, porém nós zeladores, não podemos esquecer que somos guardiões da família de axé e por isso, precisamos ser criteriosos, pois não podemos esquecer que guardamos o que há de mais precioso na vida de uma pessoa, sua fé.
A todos que sentam na minha mesa ou procuram a minha ajuda, se assim Ifá determinar, ajudo no que eu posso e tiro o que tem no meu armário para fazer um ebó ou qualquer outro tratamento indicado, que pelo menos melhore a vida daquele filho, sem preconceitos ou distinção. Digo isso, porque muita gente diz que Candomblé é só dinheiro, que os zeladores só olham a parte financeira e isso não é verdade, pois mesmo não recebendo ajuda nenhuma do governo ou de qualquer outra instituição, eu e outros muitos babalorixás sempre levam auxílio ao que precisam, o grande problema é que uma minoria, não quer só a “ajuda” e sim que seja tirado de suas costas uma responsabilidade que é só deles. Dar a mão é uma coisa, o braço e o corpo inteiro, é outra completamente diferente.
Acredito que como em qualquer lugar, existam pessoas aproveitadoras e ruins, mas o Orixá está atento e olha cada passo, assim acredito que esses não chegam longe, afinal Exú é o senhor dos caminhos, e Egúgún protege o conhecimento ancestral e corrige aqueles que o profanam. Mas não podemos generalizar e sair por aí falando e denegrindo a religião, sei que a indignação é forte e ser enganado é muito ruim, mas temos que superar os obstáculos e valorizarmos as portas que são abertas pelo próprio Orixá, deixando o passado no passado.
Somos seres em eterna construção, cada passo, cada capítulo tem um começo, meio e fim, e o mais importante é a lição aprendida, pois todos nós erramos, sendo filhos ou pais, julgamos, brigamos e nem sempre seremos justos, mas há uma força chamada axé para abençoar ou corrigir e realinhar nosso destino. Levei facadas das pessoas que eu mais ajudei e nem por isso desistir do Candomblé. Pensem nisso!
Babá Diego de Odé
Ilè Asé Egbé L’ajò
terradosorixas@hotmail.com

Planejando a Obrigação de Sete Anos (Odún Èje)




Quando se iniciamos no Candomblé, já sabemos que vamos passar por ciclos de transformação e renovação dentro do culto e isso damos o nome de àjodún, ou como é mais conhecida, “obrigação” ou "aniversário", sendo elas de, “um ano”, “três anos”, “cinco anos(dependendo do axé)” e “sete anos”. Chamamos de obrigação, por elas são necessárias para sua formação religiosa e hoje vamos falar do odún èje(sete anos), na qual nos tornamos “maiores de idade”, onde vamos assumir o cargo de ègbónmi (meu mais velho) e é marcada por uma grande festividade que precisa ser planejada, organizada e executada com dedicação e felicidade, por isso, vou dar algumas dicas que podem te ajudar.
Priorize! Os grãos, materiais de axé, bichos e despesas da casa de candomblé vem em primeiro lugar, pois são a base da sua “obrigação”, depois que está tudo certo, pago e revisado, então você começa a planejar a roupa de apresentação, roupa de hún, aparamentas, decoração e etc. Eu sugiro um planejamento em dois anos, ou seja, chegou ao cinco anos de iniciado, comece a pensar nos “sete anos”, afinal é a nossa formatura dentro da religião e deve ser festejada, tudo com bom-senso e conforme o seu axé e a orientação do seu zelador.
Para a roupa de apresentação no barracão, o tradicional rechilieu não se perdeu com o tempo, mas também temos a opção dos “entre-meios de renda”, que estão cada vez ficando mais bonitos, para a roupa de hún do seu Orixá e aparamenta, sente com o seu babálorixá e veja as cores e materiais que você pode usar, isso te ajudará muito. 
Para decoração, se você estiver comemorando junto com uma festividade da casa, tente mesclar as cores e não se esqueça de convidar as pessoas que fizeram parte da sua história, como seu padrinho de orunkó, amigos e principalmente familiares. As lembrancinhas devem retratar a essência do seu Orixá, nada de genéricos. Aquelas que podem ser consumidas depois, como os sabonetes e aromatizantes, ainda são as mais usadas, mas acho muito chic as personalizadas e finalizando, faça um álbum, as fotos de celular são bacanas, mas nada como um profissional, lembre-se que esse dia é único.
Pesquise, peça dicas dos mais velhos e não deixe o “carnavalesco” subir a cabeça, pois o encanto está no axé e nos detalhes.Sacrifício, Mérito e Valorização!Muito axé
Babá Diego de Odé - Babálorixá e Consultor Espiritual
11 4141-0167
terradosorixas@hotmail.com

Indico:
- Materias de Axé:
Tudo Para Orixá: 11 - 9 9723-1979 (Falar com Sandro).

- Roupas:
Crioula Fashion: 11 9 4816-7422 (Falar com Mayra).

- Decoração, Doces e Salgados:
Cantinho das Meninas: 11 9 6094-1677 (Falar com Lucy).

- Lembracinhas:
Cheiros e Mimos: 11 3984-3307 (Falar com Kelly).

- Fotografia:
Érica Catarina Fotografia: ericacatarina@gmail.com

A Força do Ajé - Como funciona

A força do Ajé – Como funciona Sabemos que no Candomblé a força do “Ajé” existe, seja em qual for a época, sempre se ouviu falar que há...