quinta-feira, 26 de junho de 2014

Iyamí Oxorongá – Guardiãs da Vida e da Morte

Desde muito pequeno ouço falar e praticar o culto as Mães Ancestrais, mas na última década vem acontecendo um movimento que chamo de “Iyámania”, ou seja, tudo é culpa de Iyá, todo mundo joga nas Eleyés a responsabilidade das infelicidades da vida e isso é um grave erro, pois elas possuem características maravilhosas que estão sendo esquecidas e nesse texto eu busco desmistificar essa imagem de “bruxa medieval” com berruga na ponta do nariz e que fica o tempo todo conspirando contra a humanidade. Meu ato de dissertar sobre o assunto se deve também a ligação que Erinlè, meu pai, tem com a ancestralidade feminina, pois é filho de uma Iyá, Iyá Apaoká, aquela que mora na jaqueira.


Iyámi Oxorongá é uma divindade suprema, ou seja, uma irunmolé e representa o principio coletivo feminino e na nossa religião tem a função de catalisadora do poder divino que une todas as mulheres e zela pela hierarquia e guarda a vida e a morte, pois ao contrário dos homens que após sua morte, são venerados individualmente no culto à Egun, as mulheres agrupam-se em um só axé que é protegido por Iyámi Oxorongá.

Entretanto, lidar com tal energia exige conhecimento, postura digna e respeitosa e é tarefa sempre da mais velha da casa cuidar de seus objetos sagrados que ficam sempre na frente da casa de axé, protegendo e zelando pela ordem social e harmonia, essa é a razão que em toda grande festividade, ela recebe presentes e oferendas. Os antigos dizem que por sua ligação com Oxum, Orixá que representa a gestação e o sangue menstrual, não se cultua uma sem se cultuar a outra. 

Um aviso importante é que, independente de que nação sejamos, devemos sim prestar homenagens aos nossos ancestrais, porém se você não tiver o conhecimento teórico e prático para isso, busque-o antes de sair por aí fazendo ebós e cultuando-os, lembre-se que entrar no mundo dos mortos é uma grande responsabilidade e como tal, exige dedicação e preparo, ou então o que é bom, pode sim se tornar nocivo e não invoque as Mães para prejudicar o outro, elas podem até ouvir seus pedidos, por querer te proteger, mas você atrairá os olhos delas para sua vida e vai ser julgado a cada passo certo ou errado que der. 

Mojubá a todas mulheres do passado, presente e do futuro!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ekede – Minha Visão sobre as Mães do Orixá


Demorei algum tempo para escrever sobre as ekedes, pois estava buscando outras visões sobre esse assunto tão delicado e espero ajudar a todos que buscam respostas sobre esse cargos.


A palavra Ekede vem do termo equejí de origem fon, sendo sua tradução em yoruba, outro. Assim como os ogãs, as ekedis são escolhidas pelo Orixá para desempenhar um papel de cuidadora do Orixá e de seus segredos, por isso são chamadas de mãe do Orixá, são elas os braços direitos e esquerdos de uma casa e ajudantes do Babálorixá ou Iyálorixá.

- Como se é escolhida para ser ekede?

Esse é um dom dado por Olorun, então já se nasce ekede, porém para que se possa assumir tal papel, é necessário uma série de atos iniciatórios e principalmente o aprendizado do cotidiano. Um erro muito comum no candomblé é empossar uma pessoa de poderes dos quais ela não entende e não sabe como exercer, naturalmente a responsabilidade irá pesar e pode se tornar um fardo, ao invés de uma dádiva.

- Quais são as funções da Ekede?

Durante as funções religiosas, existem tarefas que são tabus aos iniciados (iyawòs), por exemplo, durante os orôs, os rituais secretos, somos expostos a energia bruta do nosso Orixá que inevitavelmente irá se manifestar e nesse momento a consciência dos eleguns é tomada e filho precisar de cuidados, que são conduzidos e zelador pelas ekedes e ogãs, conforme as orientações do Babálorixá. Outro ponto importante a destacar é que nas casas tradicionais, é ensinado que não é de bom tom um zelador ir visitar outra casa, sem a companhia de uma ekede, pois em caso do Orixá se fazer presente em seu filho, ele também precisa de cuidados especiais, afinal se trata do divino, do intocável, daquilo que acreditamos.

Vestir, cuidar do igbás, acompanhar o zelador nos ebós, bory e oros, também são funções das mães ekedes, assim como acompanhar os Orixás dos iyawòs, que ainda estão sendo lapidados em seus filhos e acompanhar os santos mais velhos no barracão. Portanto, as informações acima, me lembram de um ditado popular que toda ekede deve levar consigo, “Mãe é aquela que cria”, ou seja, para carregar o título de iyá, ela deve cuidar dos filhos dos Orixás como se fossem delas, com o olhar, paciência e compreensão de uma mãe.

- Qual é sua conduta?

A Ekede vem para terra com a missão de cuidar de quem cuida de nós, ou seja, do Orixá e do Zelador, por isso não podem ser Iyálorixás, em outras palavras não possuem o axé de iniciar pessoas no culto dos Orixás, as ekedes que assumem tal postura, estão virando as costas para o dom que o Orixá lhes deu, que é tão sagrado quanto ao de Iyálorixá, e casos sigam para esse caminho, podem sofrer consequências graves. Uma Ekede pode sim tirar um ebó, cantar um bori em casos de urgência ou necessidade, mas isso não pode virar regra, pois se ela desempenhar a função de mãe de santo, quem fará a sua função? 

Atenção minhas mães, conquistem o espaço de vocês, estejam sempre acima das confusões, fofocas e desavenças, sejam orientadoras e apaziguadoras, estamos em uma época onde atitudes valem mais que palavras e lembrem-se da confiança que o Orixá depositou em vocês, não traiam esse dom tal sagrado e bonito.

Motumbá a todos, ekedes, cotas, iyáorobás do Brasil e do mundo. Meu eterno respeito e amor, por todas noites acordadas, suor derramado, pé no chão e carinho com o qual cuidam de nós!

Portadores de Necessidades Especiais no Candomblé

Muito se escreve sobre o que se sabe e se bem entende em nossa religião, contudo há outras tantas questões para se discutir e uma delas é a do PNE no candomblé. A idéia de escrever sobre esse assunto surgiu de uma dessas conversas de axé que tenho com os meus filhos, em uma delas, uma querida mãe Ekede relatou que viu em uma determinada casa, uma pessoa com necessidades especiais entrar em transe em Orixá e infelizmente ser colocada de canto, pois ninguém sabia como lidar com a situação e posteriormente ouviu comentários desagradáveis sobre o omo-Orixá.


O caso acima demonstra a falta de preparo e até mesmo ignorância por parte do zelador e dos membros dessa casa, coisa que acontece em outras tantas e isso é uma vergonha, nós que falamos tanto que somos uma religião que recebe a todos de braços abertos, quando o diferente se coloca a nossa frente, simplesmente fingimos que não vimos, precisamos criar soluções, buscarmos adaptar nossa casa de axé para que ela verdadeiramente possa receber os filhos dos Orixás, pois hoje é o filho do vizinho, amanhã pode ser o seu filho, neto ou sobrinho. 

Portanto, precisamos pensar também nas minorias e parar de agirmos sempre em pró ao individual, perante a Olorun, somos todos iguais e estamos ligados uma ao outro, como um organismo vivo, onde cada célula tem sua função e razão dentro do conjunto. Uma coisa que me incomoda muito é o ser humano ver algo a ser arrumado ou melhorado e ficar parado, achando que a solução vai cair do céu, vamos acordar meu povo, se o Orixá deu ferramentas, então use e construa um mundo melhor!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Bons Resultados no Candomblé


Nossa religião é baseada na simbologia, cada elemento é importante e garantem bons resultados na nossa vida, que se reflete na saúde, prosperidade, amor, família e principalmente paz interior.


Entretanto o que dá sentido a cada coisa é o coração, sua fé. Uma trança de palha costa é apenas um enfeite, se não for passado no banho de ervas, rezado, não terá o “axé” de proteger você contra os maus espíritos, por exemplo. Vejo que muita gente entra para o axé com a ilusão de que apenas comprando suas coisas ou dando a sua presença, tudo vá se resolver como em um passe de mágica, quem pensa em entrar para o candomblé precisa estar ciente que sua conduta e determinação serão colocados em prova, além de ter que lidar com a correção do universo, pois estamos o tempo todo louvando e pedindo transformação, mas será que estamos preparados para receber essas mudanças?

Vejo pessoas que não acordam cedo para procurar emprego, reclamando do desemprego.

Vejo pessoas que não se esforçam para se socializar, reclamando da falta de amigos.

Vejo pessoas que reclamam de seus zeladores, mas ao menos vão a casa de axé saber se ele está precisando de algo.

Vejo zeladores que falam mau de seus filhos, mas que nunca tentou perguntar a eles o que está acontecendo, se estão bem.

Como eu sempre digo, eu me espelho nos antigos, mas sou de um candomblé novo, uma crença fundamentada, onde cada ato tem seu simbolismo e que principalmente não acredita no fanatismo, nem que tudo é culpa do Orixá ou de “demanda”. Vamos parar, refletir e antes de achar um “bode expiatório”, olhar nossa postura perante a nossa vida e nossas atitudes, pois só assim conseguiremos alcançar bons resultados na nossa religião.

Eu cresci em uma casa de candomblé, vendo gente pulando de galho em galho, sempre alcançando os mesmos resultados, pois tinham os mesmos comportamentos.

Uma boa tarde e que Oxossi esteja conosco.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

10 Regras de Conduta e Comportamento do Egbé L'ajò

Dez Regras que contém informações importantes para todos que queiram agregar a família Egbé L'ajò, isso pois valorizamos a transparência e nada melhor do que deixar as regras bem claras.


1º Tanto o abyan (não iniciado), quanto quem chega no Egbé L’ajò para tomar obrigação tem três meses para se adaptar, isso quanto a vestuário, comportamento e etc. Para isso é necessário o empenho dos mais velhos para ensinar, assim como é igualmente importante a boa vontade de quem estar chegando para aprender.

2º Não adiantamos obrigação (ajodun), aqui se toma um, três e sete anos na data correta, após se tornar um egbon (mais velho), se comemora todos os anos o aniversário do seu Orixá, onde você oferta parte da sua colheita anual, ou seja, damos aquilo que recebemos. Isso vale para todos, yawòs, ekedys, ogans e demais cargos.

3º Quem Olorun determinou a ser zelador(a) de Orixá, já nasce com o dom, porém deve ser lapidado conforme os ensinamentos do axé, portanto filhos do Egbé L’ajò só iniciam pessoas no culto sem o nosso acompanhamento, após seu Oyè. 

4º Qualquer roupa ou objeto emprestado da casa, deve ser entregue como foi e nas mãos de quem foi retirado, essa nem é uma questão de axé e sim de educação. Assim como algo que é foi quebrado deve ser reposto.

5º A manutenção da casa é dos filhos, quem não pode colaborar com dinheiro, colabora com trabalho, pois sempre precisamos de ajuda para manter a ordem e a limpeza no terreiro.

6º Pelo volume de pessoas durante as funções, temos contas pesadas de água e luz, então economize, nada de deixar a luz acessa nem a água derramando sem necessidade, lembre-se que são as suas doações que mantem a casa.

7º Não faça comentários ou postagens desagradáveis que possam gerar conflitos nas redes sociais, você representa um axé e carrega o nome do Egbé L’ajò e isso demanda responsabilidade, você expondo sua família de axé, acaba denegrindo sua própria imagem. Cada um tem direito de ir e vir, mas quem fala o que quer, ouve o que não quer, além de ter que assumir e provar legalmente o que está sendo afirmado.

8º Em nossa casa temos a Ficha de Reclamação, um documento onde o filho pode dissertar sobre sua insatisfação, esse documento será lido pelo Babá Diego e será tomada uma medita corretiva.

9º Ninguém é obrigado a se iniciar no Orixá ou tomar obrigação no Egbé L’ajò, mas se assim decidir, tenha em mente que cobraremos uma postura séria e respeitosa, quem “faz santo” já sabe antecipadamente que irá ter que seguir regras de convivência, respeitar a hierarquia e estar presente nas obrigações da casa (Águas de Oxalá, Festa de Ogum e Oxossi, Festa de Xangô, Olubajé, Festa das Iyábas e Festividade do Orixá da Casa), em casos de não conseguir participar das funções precisa justificar a ausência.

10º Em nossa casa possuímos duas lideranças religiosas, a Iyá Rose de Oxum que é filha de Babá Nivaldo e Babá Diego que é filho do Babalorixá Toninho, onde seguimos os costumes e tradições da nação Ketu, porém como toda casa de axé, temos particularidades e não nos apoiamos em qualquer outra casa para fazermos nosso candomblé. Respeitamos as casas matrizes e a hierarquia, porém construímos nosso próprio nome. Deixo isso claro, para que todos fiquem cientes que assumimos total responsabilidade sobre o que é praticado em nosso axé.

Atenciosamente,

Diretoria do Egbé L’ajò

A Força do Ajé - Como funciona

A força do Ajé – Como funciona Sabemos que no Candomblé a força do “Ajé” existe, seja em qual for a época, sempre se ouviu falar que há...