segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Homenagem a Iyá Rose de Oxum


Hoje, Iyá Rose de Oxum completa 45 anos de idade, e é com muita alegria que nós, seus filhos, amigos, irmãos e netos, desejamos a essa matriarca do Egbé L’ajò, muitos e muito anos de vida, pois sem sua força jamais seriamos o potencia que nos tornamos.


Mãe: palavra pequena, mas com um significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, renúncia a si própria, força e sabedoria. Ser mãe não é só dar a luz e sim, participar da vida dos seus frutos gerados ou criados. Obrigado por termos você.

Feliz Aniversário!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Oxum Opàrá - A guerreira das águas doces

Entre todas as qualidades de Oxum, Opará é a mais guerreira, companheira de Ogun, aparece muitas vezes ao lado de Xangô. É um orixá de grandes particularidades, afinal ela une dois elementos: a água e o vento, o que explica sua ligação tão forte com Oyá, os antigos dizem que “Onde mora Opará mora Oyá, Opará não come sem Oyá”. Carrega Abebé, o espelho e também a Adagá, a espada, que representa sua porção guerreira. Em alguns momentos aparece também guerreando com Ypondá, outra qualidade guerreira.

Sua comida é o omolokun com ovos, um pouco mais carregado no dendê, afinal a especiaria a agrada por sua ligação com Ogun, assim também está ligada ao mariwô. Sua cor é dourado e também pode se colocar em suas roupas a cor rosa. Assim como pencas de metal jogadas em saia, afinal está ligada ao metal.

É representada pelas fortes quedas d’água e também na pororoca, com diz a lenda “Onde dois rios se encontram lá está Opará sempre lutando por seu espaço”. Entre muitos mitos que rondam essa qualidade o mais marcante é aquele onde ela se funde com Oyá, após ter a enganado, fazendo com que Oyá visse o seu lado ruim refletido no espelho. Seus mitos vem da região de Osogbô e também Oyó.
Suas filhas são autenticas e de personalidade forte, carregam consigo as magoas e tristezas da vida, tem poucos amigos e sempre são ponderadas e justas, onde muitas vezes a sua sinceridade chega a machucar. São vaidosas porém não vivem em pró a seu ego. Tem um lado espiritual muito aflorado para o ocultismo e adoram presentear as pessoas. Na saúde apresentam problemas na menstruação.







sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Aprendizado na Casa de Candomblé


Minhas últimas postagens geraram uma certa polêmica, onde muitos omo-Orixás reclamaram que questionar parece algo ruim ou proibido ao iyawò e também que os zeladores de hoje em dia não explicam nada, por isso acabam tendo que procurar em outras fontes. Outro ponto que me deixou assustado foi o fato da figura de iyawò ser ligada sempre aos afazeres domésticos e ao “serviço sujo”, por isso decidi fazer esse post para esclarecer alguns pontos e tentar ajudar meus irmãos zeladores e aos recém iniciados.


Em casa, cada orò, cada “cantiga nova” ou ato é explicado, eu paro, sento e digo o que vou fazer e porque vou fazer, criei a apostila de rumbè baseada em minha vivência, pois só se pode dar aquilo que recebeu, assim como o iyawò quando é iniciado sabe seu Orunkó, tradução, qualidade, cantiga do Orixá e sassanha de seu santo, contudo há aqueles que não tem interesse e por mais que se explique não querem aprender, mas eu fiz minha parte e tenho a consciência tranquila.

O que precisamos entender é que seja dentro ou fora da casa de axé, para construir uma estrada segura, precisamos começar de baixo, do básico, como limpar uma casa de axé, como tirar uma pena de um bicho, infelizmente a maioria dos barracões não tem pessoas remuneradas para fazer esse tipo de coisa, que no meu ver, não humilha ou menospreza ninguém. Eu mesmo sendo zelador e com muitos filhos iniciados, coloco a mão na massa, pois não estou fazendo para mim ou para qualquer pessoa, estou fazendo para o Orixá, para quando passe por minha casa, veja que está zelada, limpa e organizada e com certeza meu lar será abençoado.

O problema não é a informação e sim como você vai lidar com ela, antes de mais nada temos que respeitar quem nos ensinou, pouco ou muito, aquela pessoa parou sua vida para lhe transmitir conhecimento e se você acha que não serve ou não serviu, guarde para você, pois aos outros isso nada interessa. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Lidar com Filhos de Orixá - Problema e Solução

Todos os dias, aconselho um zelador, seja de candomblé ou umbanda, a como se comportar em uma crise com filho de Orixá. Lidar com o ser humano não é tarefa fácil, prova disso são os consultórios de psicólogos e psiquiatras lotados de pessoas que não conseguem lidar com algumas situações que a vida impõe e procuram ajuda especializada.


Há alguns anos, a saída ou briga com um filho me deixava triste, acamado, chegava a vida dias e dias chorando e me perguntando o motivo de uma pessoa que eu fiz o santo ou dei obrigação, sair da casa falando um monte ou inventando histórias. Até que um sábio zelador me disse assim:

- Meu amigo, filho de santo não é parente ou para sempre, de dez apenas um ou dois iram permanecer, pois esses são os verdadeiros filhos do Orixá e do seu axé, os demais muitas vezes nem sabem o que estão fazendo, nem o valor daquilo que carregam, se eles não amam nem a si mesmos, como você espera que amem e tenham algum tipo de consideração a você ou ao Orixá. Faça, cante e tenha fé, mas não espere nada em troca!

E isso ficou na minha cabeça, demorou até eu assimilar essas palavras e com o tempo fui vendo, com fatos que são verdadeiras. Por isso temos que ser criteriosos, não podemos fechar as portas para ninguém, mas isso não quer dizer que devemos ser idiotas ou passivos a tudo. Você zelador que está sofrendo com isso, tome as rédeas, a casa é do Orixá, mas se ele confiou a você o sacerdócio é por que acredita na sua capacidade de gestão. Se alguém está te causando problemas, sente e converse, se não há jeito, convide para se retirar, não permita que a ordem seja quebrada por quem só quer “causar”.

Não alimente inimigos ocultos, falsidade nem confusão. Na casa do Orixá deve haver paz e harmonia, não se preocupe com quantidade, pois se o Orixá estiver do seu lado, um filho sai e três entram, pode confiar na minha palavra. Certa vez uma filha de Oxum Opará que tinha seus dois anos de iniciada, se virou contra mim, dizendo que preferia os outros, não aguentando a loucura eu mandei ela “caçar urubu” no mesmo dia uma linda moça sentou na minha mesa e a dúvida dela era: Eu sou de Opara Pai? Resultado, um mês depois estava fazendo esse caminho e até hoje ela me dá orgulho. Então eu vou dizer que Opará não existe?

Espero que esse texto ajude a todos que estão passando por essa situação, que não deveria, mas que está cada vez mais comum.

Um bom conselho

Conselho para os primeiros passos de um iyáwò:

Nos primeiros anos de iniciação, para a maioria é tudo novo e surgem situações que não sabemos como lidar, por isso lá vai alguns conselhos:


- Se tiver alguma dúvida, pergunte direto para seu zelador, isso evita fofoca e também que a conversa chegue atravessada.


- Ciúmes há em todo lugar, por isso se algum irmão de santo falar algo que fere a conduta da casa ou que desabone seu zelador, você deve chegar no seu zelador e contar, pois no final é sempre o mais novo que leva a culpa.

- Observe e aprenda. Na casa de santo cada ebó, sassanha ou orò é importante, independente do irmão que está tomando obrigação, o que importa é o Orixá.

- Faça sua parte e deixe que cada um faça sua, não se intrometa nos problemas dos outros, cada um que vem a casa de axé está precisando de ajuda e se você não tem nada para ajudar, não pegue ajé dos outros, pois depois vai ter que dá conta.

Seja feliz e pleno na religião para que isso reflita na sua vida!

Qualidade de Orixá – Como funciona?

Essa questão é bastante complicada, pois há quem defenda que qualidade existe e outros que acreditam que seja apenas uma direção, mas que cultuamos Orixá e ponto. Durante anos da minha vida eu me dediquei ao estudo de qualidades e subqualidades de Orixá e cheguei a seguinte conclusão:



Somos iniciados em Orixá e não em qualidade, pois sabemos que a qualidade é a forma de cultuar ou um momento daquele Orixá, ou seja, é apenas um direcionamento e com todas as pessoas de axé antigas que conversei, todas chegam ao mesmo ponto, que o filho de santo mal consegue entender o que é o Orixá e logo já quer saber ou questionar sua qualidade, por isso muitos mantem segredo sobre qual o caminho daquele Orixá até que o filho já tenha uma certa idade de iniciado, não por maldade, mas para preservar o próprio omo-Orixá. Em outra palavras, vamos aprender o que é básico para partir a um entendimento mais profundo.

O candomblé é uma religião muito complexa, somos uma verdadeira colcha de retalhos e saber filtrar as informações que estão por aí tanto na internet como em livros, não é tarefa fácil, por isso, antes de fazer santo, sente e converse com seu babalorixá, ouça e pergunte como isso funciona no seu axé, pois sabemos que Orixá é um só, mas de casa para casa e de nação para nação, muita coisa muda e aí vem a pergunta:

E como não cair em uma furada?

Veja a postura do zelador(a), quais são seus valores, como ele trata os filhos mais velhos. Ele é acessível? Está aberto a responder meus questionamentos? De onde ele veio? Quem foram seus mestres? Essas são questões que uma pessoa séria certamente vai responder sem pestanejar. Para finalizar deixo uma frase de minha querida egbomi Luzinete de Oyá (1922 - 2007):

"Quando fiz santo minha mãe disse, filha você é de Iansã e assim foi até meus 21 anos, quando meu pai Ogã na hora do orò disse, viva Onira e tomei consciência que era a marca de minha mãe, fiquei feliz, mas sempre vivi bem e tive fé, com ou sem qualidade. Agora eu vejo o povo que sai roncó, com orunkó, qualidade, cantiga do Orixá e até juntó e se perguntar qual a folha do seu Orixá não sabe, porque eles querem tudo mastigado, ao invés de lutar para conquistar" - Gravação de 2004.

Uma ótima noite e que Olorun esteja com conosco!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Compreensão e Humildade para entender a vontade do Orixá


A dor faz parte da vida, assim como a superação!


Um amor que supera a dor


Um amor que supera a dor


Meu amor a Odé


Nasci do ventre de Ypondá e à Erinlè fui apresentado antes mesmo de dar meu primeiro suspiro e amo de verdade o Orixá, sou feliz pela confiança e por ter a dádiva de sentir Orixá, ter minha consciência e percepção tomadas pelo deus Caçador, pois eu nada sou sem ele.


Peço a Odé que me dê muita paciência e compreensão para continuar cuidando dos seus filhos como se fossem meus, pois a cada dia que passa o ser humano me surpreende mais com sua capacidade de gerar o negativo, levantar guerras sem sentido e machucar aqueles que lhe deram a mão.

Buscar no Orisá a força para recomeçar

Durante a vida vamos passando por momentos onde nada tem explicação, são crises que vem como tempestades que param ...