quarta-feira, 29 de maio de 2013

Poema: Os Segredos de Enin

Nasci no brejo gelado e fui arrancada pela mão forte de um mulato

Fui posta ao sol, onde sequei, fui arrumada e amarrada
E agora Taboa já não me chamava

No mercado repousei ao lado de ervas frescas
Meu nome agora era Esteira
Valia pouco, mas logo fui levada 

Senti a agua fria
O sangue quente
E as lágrimas salgadas

Ouvi o paó que rompia a madrugada
Ouvi o som do adjá
Ouvi o bater forte do coração

Apoie o medo do desconhecido
Apoiei cabeças raspadas
E cuidadosamente pintadas

Sobre mim repousam homens
Sobre mim repousam deuses
Sobre mim repousam a vida e a morte

Fui Taboa
Virei Esteira
E eternamente serei Enin

- Babá Diego de Odé -

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Preparando novos zeladores de Orixá

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Candomblé de Oxossi


Foram dois meses de preparativos para os festejos do meu Pai Odé. Passamos horas conversando e discutindo sobre decoração, lembrancinhas, esquema administrativo e etc. Tudo isso nos ajudou a nos aproximarmos, conhecer melhor um ao outro, fortalecendo assim nossos laços de amizade. Um candomblé não acontece do nada, ele é o resultado da união dos esforços e sacrificios pessoais de cada filho do axé.

No começo, eu tive muito medo de delegar funções, pois eu tinha muito receio de me decepcionar, mas eu vi que os meus flhos, estão mais que preparados para tocar um candomblé. Como diria meu pai, agente morre de medo, mas uma hora temos que tirar as rodinhas da bicleta. Apesar de tudo ter saído melhor que eu esperava, existem e sempre vão existir pontos que devemos corrigir e um deles é a questão dos cargos que eu havia proposto nas reuniões que antecederam o evento. Fiquei surpreso e um pouco desapontado com a postura de algumas pessoas que transformaram isso em um bicho de sete cabeças e eu acabei desistindo das faixas. Assim apenas o cargo de babalaxé foi entregue ao Pai Rosivaldo e no ano que vem, eu espero que já tenhamos amadurecido melhor essa ideia.

Passei noites sem dormi, pertubei a cabeça da Mãe Rose e da Mãe Elizangela com a minha ansiedade e com tudo isso eu aprendi que devo confiar nas pessoas e que faz parte do desenvolvimento pessoal deixar que elas tomem responsabilidade, vi nos videos meus filhos dando rún nos irmãos, cantando e isso me deixou mega orgulhoso. Por essas e outras que eu digo que Odé me deu a melhor família do mundo, gente de verdade que se une para servir e amar o Orixá.

Uma ótima semana!


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Abuso do Poder – Quem dá, pode tirar?


Diariamente, recebo diversos e-mails e tento de verdade responder a todos, posso demorar mais leio cada um, afinal a pessoa quem me escreveu teve confiança e carinho para dividir comigo sua história.

E hoje um e-mail do começo de abril/2013 me chamou atenção. Um rapaz do interior de Minas Gerais me relatou que foi iniciado em Minas e sua iyálorixá faleceu antes dele completar sete anos de santo e como ela era muito rígida, ele tinha poucas fotos que provassem sua obrigação. Então ele decidiu procurar um zelador do Rio de Janeiro e com ele jogou, até o momento Ifá e o dito Pai de santo, confirmou sua idade, sua iniciação e assim ele tomou o odú ijè. Contudo por não ter conhecido a casa antes de entrar, ele acabou se deparando com situações que iam contra os seus valores e saiu da casa. Depois de semanas, o zelador postou um comentários nas redes sociais, dizendo que ele não era feito, que tomou sete anos sem ter, difamando sua imagem em todos os aspectos. Para finalizar ele me perguntou o que podia fazer.


E eu o respondi: 


"Eu já vi isso acontecer muitas vezes e é um abuso de poder, pois quando você não serve mais, muitos “pais” usam da influencia que tem para tentar acabar com o filho, pura infantilidade. Uma coisa que eu posso dizer é que se você não é feito, seu zelador também não é babálorixá, pois se ele jogou, “alafiou” o obí, cantou seu cargo sem você ser feito é porque ele não tem conhecimento algum dentro da religião. Será que Ifá se enganou? Se fosse sobre o futuro, tudo bem, nós sabemos que pode ser alterado, mas o passado é o passado, já foi, não tem como Ifá errar. Tenho dó desse zelador, pois ele acabou dando um tiro no próprio pé, ridicularizando seu axé e pior, está passando a imagem que o candomblé é uma bagunça, onde você pode tomar a obrigação que quiser, sem que haja a assistência e a permissão do Orixá". 

Uma ótima tarde

Provas do Orixá


Ontem acordei “virado” e repensei minha visão e o meu lugar no candomblé, me senti no filme 300, naquele instante onde meia dúzia lutam contra o tempo e contra todos os inimigos. Tentamos fazer o melhor, levar o candomblé de forma limpa, descente e parece que em todo momento o povo está torcendo para que não dê certo, criticando antes de até mesmo te conhecer, porque? O que fazemos de mal? Por inveja? Por despeito? Para mim nada justifica.

Fiquei assim até que abri minha caixa de mensagem e ver um e-mail, onde o assunto era “Eu, Oxum e Você”, no corpo do texto uma jovem da Bahia, de trinta e poucos anos, relatou que cresceu no candomblé e foi feita ainda criança e já a alguns anos não pisava mais em uma casa de axé, por conta dessa rivalidade sem sentido, um querendo ser mais do que o outro e esquecendo do que realmente importa que é servi ao Orixá. A moça disse que apesar de ter virados as costas para a religião, nunca deixou de amar Oxum e que pesquisando sobre Opará, chegou ao meu blog e continuou lendo. Postagem após postagem, acendeu na vida dela a chama da religiosidade e encerrou assim:

- Não o conheço pessoalmente, mas estou escrevendo para dizer um muito obrigado, pois graças a você me aproximei do axé e pude reviver aquilo que me fazia falta. O candomblé faz parte de mim. Kolofé

Eu comecei a chorar de emoção, pois Odé mediante a uma pessoa que eu nem conheço, deu exatamente a resposta para a pergunta que eu passei o dia todo a me questionar, que era sobre a minha função na religião dos Orixás.

Obrigado a Odé e a Oxaguiã por cuidar de mim e não me deixar fraquejar!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Falta de Compromisso – A esperança vazia de uma colheita, sem o plantio


A partir do momento que você decide entrar em uma casa de santo e se iniciar, tem que estar ciente dos seus direito e dos seus deveres. É um verdadeiro relacionamento com o Axé e como toda relação, deve existir ajuda, compromisso e dedicação MUTUA, pois se só uma lado se dedicar, com certeza não dará certo. E é exatamente o que eu estou podendo ver e avaliar dentro e fora da minha casa de santo.

Comigo pelo menos, não há tempo ruim, quando se tem algo a fazer pela vida e pelo Orixá de um filho, não importa se é meio dia, meia noite, uma ou duas horas da manhã. Já perdi aniversários, datas comemorativas, já passei por cima do cansaço, para servir a fé e ao ser humano. Mas o que me deixa muitíssimo chateado é o pouco caso e a tal da “falta de tempo”, que sempre serve de desculpa para justificar a descompromisso com a casa de axé. O engraçado é que quando precisam, estão sempre disponíveis, mostram boa vontade e não pensam duas vezes em ligar ou ficar duas ou três horas no jogo de búzios, pois nós zeladores, temos que encontrar a solução para suas dores e para suas más escolhas, a qualquer custo. Isso cansa uma hora, quantos pais e mães de santo que no passado se dedicaram e só receberam “nãos” e ingratidão, e que hoje continuam na religião, mas não conseguem ver seus filhos de santo, como mais nada além de apenas números.

Peço muita atenção por parte do povo do axé, abiãs, yawòs, novos egbomis, para que dê a atenção devida à sua casa, ao seu Orixá e ao seu zelador(a), para que ele(a) continue zelando bem do seu Ory. Não decepcione quem te deu a mão e o colocou dentro do seu axé, dentro do seu quarto de santo, tendo apenas a sua palavra como garantia. Não estou generalizando, vejo que a cada ano que passa a consciência vem mudando e hoje muitas pessoas não tem mais o candomblé como um “pronto socorro”. Todos nós temos problemas, e existem casos onde o filho realmente não pode se dedicar naquele período e deve sentar e conversar com o seu líder religioso. Salva essas exceções, para mim não existe falta de tempo e sim falta de vontade, pois Olorun criou o dia com 24h e a semana com sete dias, por isso temos que nos organizarmos e separar um tempo para tudo, inclusive para a religião, onde buscamos força.

Uma ótima quarta e que Xangô e Oyá nos protejam dos “desnecessários” do candomblé.

domingo, 19 de maio de 2013

Transparência - Nota a Comunidade do Candomblé


Em nossa religião lidamos com energias o tempo todo, e para um zelador essa troca de energia é ainda maior. Por isso temos que renovar nossas energias, seja um ebó, um bory ou até mesmo uma obrigação. Eu estou vivendo esse momento, para tanto contei com a ajuda de pessoas que eu amo e confio, afinal minha cabeça sustentas outras tantas. Agradeço a Mãe Elizangela de Oxum que tem mais de vinte e um anos de dedicação ao Orixá e a todos que estiveram presentes nesse final de semana que foi maravilhoso de dedicação a Odé.

Retribuir e agradecer é primordial para uma vida plena e feliz dentro do Axé. Claro que eu gostaria que o meu zelador estivesse do meu lado nesse momento, mas infelizmente não foi possível, devido a uma série de impedições, então contei com aqueles que estão ao meu lado e que me amam. Deixando claro, que não estou tomando “idade de santo”, apenas homenageando meu Orixá . Certa vez ouvi que teriam dito que eu não fui sentado como babalorixá e que eu tinha que ter meu próprio axé para ser chamado de babá.  Para essas pessoas eu digo:

-Sou herdeiro de um axé de mais de 40 anos e ory aladê, quem precisa ser sentado é quem abre um novo axé, uma nova casa. Tomei sete anos no Asé Obá Oru e a mim e a Odé foram entregues todos os direitos, conforme testemunhas que estavam presentes, como Yá Ivete de Airá, Babá Danilo de Yemanjá, entre outros. E no discurso proferido pelo meu zelador em Maio de 2009, ele endossou o meu sacerdócio, dizendo que eu era abiasé e que estava assinando em baixo. Minha filha, Mayra de Oxalá e sua mãe, estavam presentes e são testemunhas, assim como toda a comunidade de Itapevi presente.  Não precisei “dormir” nem pagar, para ter o que eu tenho.

Para ser um líder espiritual, temos que ter transparência e prestar contas à comunidade que nos seguem, não quero ser mais um zelador de “passado maquiado”. Minha história é humilde, simples, mas é minha, ninguém precisou inventar nada. Nasci na nação Egbá, tomei minhas obrigações em ketu e hoje sou muito bem resolvido e feliz. Dirijo minha casa com a Yá Rose de Oxum, minha mãe carnal e também a mulher que me traz equilíbrio. Podem dizer o que for, não nos importa, pois a felicidade e a força que temos é muito maior que as más línguas, que preferem agredir com palavras do que admitir que viemos para ficar. São mais de cinquenta pessoas iniciadas em seis anos, dentro e fora do país. Uma cartela de clientes respeitáveis e muitos seguidores nas redes sociais, por isso estou dando satisfação, afinal confiança é uma coisa que não tem preço e que só se mantem com verdade e transparência.

Muito obrigado família Egbé L’ajò, muito obrigado Mãe Rose, Mãe Mãezinha, Pai Rosivaldo, Pai Pingo de Logun e aos amigos e seguidores do Face, pelo apoio de sempre.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Convivência no Candomblé


Qual o tipo de relação você tem com o seu zelador(a)? Quantas vezes você parou para ter uma conversa franca ou descontraída com seu líder religioso? 


Ontem, eu e os meus filhos falávamos sobre isso, contávamos nossas experiências e comparavamos com o nosso cotidiano. Graças a Odé o Egbé L’ajò tem uma constelação de fihos pensantes e quando sentamos, podemos discutir sem preconceitos ou julgamentos. São esses os momentos onde eu posso me aproximar mais e criar um vinculo de amizade com os meus filhotes.

Um bom relacionamento com seu líder religioso é muito importante, pois ele é o pai que o Orixá te deu, já temos que engolir sapos no trabalho, na família, não vai ser no terreiro que vamos arrumar mais dores de cabeça. A casa de santo, tem que ser o lugar onde nos sentimos em casa, cuidar e zelar não só das paredes e do chão, mas também das relações de amizade que surgem. Como eu sempre digo, você não é obrigado a gostar de ninguém, mas tem que ter respeito e o minimo de edução com sua familia de axé.

Uma coisa que não funciona é você estar em uma casa e não está de coração, não vestir a camisa do seu axé e do seu zelador, essa história de «Aí, eu não tô com vontade de ir», ou «eu só vou se me chamarem», é pura frescura, e nem eu nem qualquer zelador que se prese precisamos de gente assim em nossas casas. Vá ao axé se você tiver vontade, determinação e amor ao seu Orixá e ao Orixá da casa, e não por obrigação, pois ao invés de ajudar, você acaba atrapalhando. O que me deixa admirado é que tempo para falar e saber da vida alheia todo mundo tem, mas para passar um pano no igbá ou para ajudar na função, sempre estão ocupados. Gente assim, pelo menos na minha casa, não fica. 

Religião, seja qual for, não é brincadeira, principalmente se você é iniciado nela. Não adianta só reclamar e cobrar, você tem que fazer sua parte, pois no momento que seu babalorixá te apresentou ao seu Orixá, ele o fez com o coração limpo e com a fé de que você seria um bom filho à casa. 

Uma ótima terça e que Ogun nos proteja.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Lidar com as Diferenças.


Nós, do candomblé vivemos em uma comunidade e tem de tudo, do carismático ao problemático. A maior dificuldade de um zelador é conseguir lidar com as diferenças, é um exercício diário de paciência, pois não é fácil, enquanto meia dúzia se esforça para fazer a coisa acontecer outra meia dúzia param suas vidas para viver a “Teoria da Conspiração”. 


Estamos em um mundo onde a objetividade é ouro e o tempo, esse senhor que não tem piedade, passa rápido e por isso temos que aproveitá-lo. O tempo de abiã é importante, o de egbomi também, agora o tempo de yawò, esse não tem preço, pois tem data certa para acabar. Não adianta ficarmos a todo momento nos importando com o que pensam ou deixam de pensar de nós, ou pegar uma gota de água e transformar em um maremoto. Vamos parar! Temos que agir e trabalhar em pró do Orixá ao invés de pararmos nossas vidas para ficar em “rodinhas”, ligando, twitando ou escrevendo no Face para “causar”. Não falo isso só para meus filhos, mas para o povo de santo que ama o Orixá e está indo por esse caminho.
Ontem atendi dois casos, onde a causa da saída do axé, foi exatamente essa, eles não tinham nada para falar da Iyálorixá, mas em compensação a fofoca e as ligações intermináveis tomava conta da casa e a Zeladora não tomava nenhuma atitude. Ninguém está imune a essas situações, por isso decidi escrever, pois acho importante para os meus filhos e para os meus leitores, saberem a minha opinião sobre esse assunto. 


Aproveitando, 


Estou muito feliz, pois Ogun, Oxum e Oxaguiã estão tomando conta da minha casa e dos ajodún de seus filhos, Erik, Débora e Homero. Estou saindo para mais um dia de compras. Agradar o Orixá não é tarefa fácil, mas é gratificante servir e ver o resultado na vida de cada omo-orixá. Nós zeladores, somos a "virgula" na história dos filhos de santo, a curva que faz o rio da vida correr mais rápido ou mais lentamente. Tenho muito orgulho do papel que eu tenho na religião e sou feliz e realizado como Babalorixá.

Aos meus mais velhos, obrigado por tudo.

Aos meus filhos, agradeço a confiança.

Aos meus irmãos, peço união e que o Orixá abençoe a fraternidade que nos une.

Aos meus amigos, agradeço a paciência e a credibilidade de lerem e acompanharem meu face. Peço desculpas pelos desabafos, pois as vezes eu me excedo, coisa dos filhos de Odé.

Um excelente dia!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Fiz o santo e nada mudou. O que eu faço?


Ontem, eu recebi um e-mail que me deixou intrigado, nele um jovem relatou que tinha feito santo há seis meses e que nada, na sua vida, havia mudado. Fez santo esperando que as coisas se resolvessem e até agora ele tinha continuado perdido nas mesmas situações. Na mesma mensagem ele dizia que não queria fazer e que durante sua iniciação teve vários problemas com seus irmãos, resumindo o assunto, que estava tudo errado e que não iria mais à casa de axé, pois estava arrependido de ter entrado na religião, mas que leu meu blog e ficou em dúvida.

E então eu respondi:

Caro Dofono,

Entendo seu ponto de vista e o respeito, porém acredito que o erro está na interpretação do ato religioso pelo qual você passou. Se iniciar no candomblé é ter a chance de uma nova vida, de renascer. A mudança que o Orixá promete para vida dos seus filhos é de dentro para fora, pois quem tem compromisso com seus santo é você. Tudo que acontece durante uma iniciação pode sim refletir na sua vida, contudo o Orixá jamais te irá jugar por aquilo que você não tem conhecimento, ou seja, se fizeram algo errado, mesmo que falte essa energia na sua vida, o seu Orixá não irá te falta.

Nós, do candomblé, acreditamos que o Ory (cabeça) é um Orixá muito poderoso e é responsável pela entrada e saída de energias, se sua mente não teve confiança, se você não acreditou de verdade em tudo que foi feito, como é que você quer que o seu Orixá te ajude? Se no momento onde você pode se agarrar na fé, preferiu ficar preso em confusões e picuinhas?

Peço que você reflita, vá ao seu pai e converse com ele. Não saia da sua casa de santo, pois você tem um juramento com o axé e com os Orixás da casa. Mudanças às vezes são necessárias sim, mas acredito que você ainda não tem entendimento suficiente para jugar o que foi ou não foi feito para você. O tempo do Orixá não é o nosso tempo, resgate seu lugar no axé e se depois de todas tentativas, ainda sim você não estiver feliz, aí sim, vá à busca de um novo caminho. O Orixá nunca nega uma nova oportunidade.

Atenciosamente,

Babá Diego

Buscar no Orisá a força para recomeçar

Durante a vida vamos passando por momentos onde nada tem explicação, são crises que vem como tempestades que param ...